Twenty One Capital (XXI): a nova “tesouraria de Bitcoin” que estreou na NYSE em queda

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A Twenty One Capital estreou na NYSE com mais de 43.500 BTC em caixa e ações em queda. Entenda o que é essa nova “tesouraria de Bitcoin”, quem está por trás e o que isso sinaliza para o mercado.


Introdução: uma nova “MicroStrategy” chega à bolsa

Depois de anos em que Strategy (ex-MicroStrategy) dominou a narrativa de “empresa listada que carrega Bitcoin em balanço”, 2025 ganhou uma nova protagonista: a Twenty One Capital, negociada na NYSE sob o ticker XXI.

A empresa estreou na bolsa:

  • já com mais de 43.500 BTC em caixa,
  • se tornando a 3ª maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, atrás apenas de Strategy e da mineradora MARA, segundo dados de Bitcoin Treasuries.

Mesmo assim, o papel estreou em forte queda, enquanto o preço do BTC passava de US$ 92 mil, reforçando a narrativa de que o mercado continua vendo valor em Bitcoin — mas está mais seletivo com ações ligadas ao tema.

Neste artigo, você vai entender:

  • o que é a Twenty One Capital e quem está por trás;
  • como funciona o modelo de “empresa de Bitcoin em balanço”;
  • por que a ação caiu na estreia, mesmo com tanto BTC;
  • o que isso sinaliza para o próximo ciclo de adoção institucional.

1. O que é a Twenty One Capital (XXI) e quem está por trás

1.1. Estrutura societária e tese principal

A Twenty One Capital é uma empresa “Bitcoin-native” formada a partir da combinação de negócios com a Cantor Equity Partners, um SPAC ligado à Cantor Fitzgerald.

Os sócios de peso são:

  • Tether Investments – emissora da maior stablecoin do mercado (USDT);
  • Bitfinex – corretora cripto fundada em 2012;
  • SoftBank Group – gigante japonês de tecnologia e investimentos, como acionista minoritária relevante.

Segundo os comunicados oficiais, a empresa:

  • estreia com mais de 43.500 BTC (cerca de US$ 4 bilhões),
  • se posiciona como Bitcoin Treasury Company,
  • e pretende construir em cima disso uma plataforma de serviços financeiros nativos em Bitcoin (custódia, crédito, capital markets, educação).

1.2. Por que ela é chamada de “nova tesouraria de BTC”

O apelido não é à toa:

  • com esse volume de BTC, a Twenty One já estreia como a 3ª maior tesouraria corporativa de Bitcoin do planeta;
  • a empresa se vende explicitamente como veículo para quem quer exposição em Bitcoin via ação de bolsa, assim como Strategy fez ao longo dos últimos anos;
  • a diferença é que a XXI nasce desde o dia 1 focada em Bitcoin, com capital, governança e narrativa desenhados para isso – e, teoricamente, menos “bagagem” de negócio legado.

2. A estreia na NYSE: muita BTC em caixa, ação em queda

2.1. O IPO via SPAC e o ticker XXI

A Twenty One chega à bolsa por meio de uma fusão com o SPAC Cantor Equity Partners, transação aprovada em dezembro e que resultou no ticker XXI negociado na NYSE.

Logo de cara, a empresa se diferencia porque:

  • não é mineradora,
  • não é corretora,
  • não é empresa de software que virou “bitcoinizada”.

Ela nasce como um veículo de tesouraria + plataforma de serviços, com um grande bloco de BTC já aportado por Tether, Bitfinex e outros investidores antes mesmo da abertura de capital.

2.2. Queda forte nas ações logo na estreia

Na prática, o mercado não deu moleza:

  • reports apontam que a ação começou o dia em queda de mais de 20%, chegando a recuar algo entre 19% e 26% na estreia, mesmo com o BTC reagindo bem no dia.
  • parte da leitura é que, depois do crash recente e da realização forte em empresas “cheias de BTC”, o investidor está mais cético com qualquer coisa que pareça “fundo de Bitcoin travestido de empresa”.

Paradoxo do dia:

  • Bitcoin subiu, rompendo de novo a região dos US$ 92 mil,
  • enquanto a nova “microstrategy 2.0” apanhava na bolsa.

Isso mostra que o mercado está começando a separar melhor: uma coisa é gostar de BTC, outra é pagar qualquer preço por ações que carregam BTC no balanço.


3. Como a Twenty One se diferencia da Strategy (ex-MicroStrategy)

3.1. Menos dívida, mais “capital efficiency”

Hoje, a comparação inevitável é com a Strategy, gigante que liderou a tese de usar dívida e ações para acumular Bitcoin desde 2020.

A Twenty One tenta se vender como uma versão:

  • mais leve em estrutura operacional (poucos funcionários, alto foco em tesouraria);
  • mais “capital efficient” – com ênfase em modelos que buscam acumular BTC sem necessariamente ficar se alavancando via dívidas e emissões agressivas de ações, segundo declarações de executivos e análises de mercado.

Na prática, a tese é:

“Se você quer uma ação de bolsa que seja quase um proxy de BTC, mas com uma estrutura pensada desde o dia 1 pra isso, a XXI é a alternativa.”

3.2. BTC por ação como métrica central

Outra diferença é a ideia de adotar “Bitcoin per Share” (BPS) como métrica principal, em vez de focar tanto em lucro por ação (EPS):

  • o investidor passa a olhar quantos satoshis recebe por cada ação que possui,
  • a discussão passa mais por “desconto/prêmio sobre o BTC por ação” do que por crescimento de receita tradicional.

Isso traz transparência, mas também reforça que a empresa é muito mais um veículo de exposição a Bitcoin do que um negócio operacional clássico.


4. O que isso sinaliza para o investidor de Bitcoin e de bolsa

4.1. Bitcoin cada vez mais no coração do mercado tradicional

A estreia da Twenty One Capital reforça umas tendências importantes:

  • Bitcoin deixando de ser só ativo de varejo e passando cada vez mais por veículos listados, ETFs e empresas “bitcoinizadas”;
  • mais opções para o investidor tradicional que não quer (ou não pode) comprar BTC direto, mas aceita comprar ação de empresa com grande tesouraria de Bitcoin;
  • competição direta entre:
    • ETFs spot,
    • empresas tipo Strategy/XXI,
    • e o hold on-chain puro.

4.2. Riscos: volatilidade em dobro

É importante entender que ações como XXI não são “bitcoins melhorados”; na verdade:

  • você pega a volatilidade do BTC
  • mais a volatilidade do prêmio/desconto da ação em relação ao valor daquela tesouraria;
  • soma aí o risco de execução do time, governança, regulação e eventual mudança de estratégia.

Em outras palavras:

esse tipo de papel tende a ser um ativo ainda mais arriscado que o próprio Bitcoin, e precisa ser tratado como tal na alocação de risco da carteira.


FAQ – Perguntas frequentes sobre a Twenty One Capital (XXI)

1. O que é a Twenty One Capital (XXI)?
É uma empresa “Bitcoin-native” listada na NYSE sob o ticker XXI, com mais de 43.500 BTC em caixa, cofundada por Tether e Jack Mallers, e apoiada por Bitfinex e SoftBank. Ela se posiciona como uma Bitcoin Treasury Company e quer construir serviços financeiros em cima dessa tesouraria.


2. A Twenty One é só uma cópia da Strategy (ex-MicroStrategy)?
Não exatamente. A Strategy nasceu como empresa de software e depois virou “bitcoinizada”. A Twenty One já nasce inteira em torno de Bitcoin, com estrutura enxuta e foco em acumulação de BTC + serviços financeiros nativos em Bitcoin. Mas, na prática, as duas acabam sendo formas diferentes de comprar BTC via bolsa.


3. Por que a ação caiu na estreia, mesmo com tanto BTC em caixa?
Há alguns fatores:

  • cansaço do mercado com ações “puro Bitcoin em balanço”;
  • queda recente do próprio BTC desde o topo histórico;
  • realização e ceticismo com valuations que cobram prêmio alto em relação ao valor do BTC por ação.

O investidor parece gostar da ideia de Bitcoin em balanço, mas não a qualquer preço.


4. É melhor comprar XXI ou comprar Bitcoin direto?
Depende do perfil:

  • BTC direto
    • você assume custódia (ou escolhe uma plataforma),
    • tem exposição “pura” ao ativo,
    • não depende da gestão de uma empresa.
  • XXI
    • dá acesso via conta de corretora tradicional,
    • vem com camada extra de risco (gestão, governança, prêmio/desconto),
    • pode ter vantagens ou desvantagens fiscais/jurídicas dependendo do país.

Em qualquer cenário, é investimento de alto risco e alta volatilidade, que deve ser feito com gestão de risco rígida e sem promessas de retorno garantido.


5. O que pode fazer XXI se valorizar no longo prazo?
Alguns pontos:

  • Bitcoin se valorizar no longo prazo;
  • a empresa conseguir crescer o número de BTC em balanço por ação sem diluir demais o acionista;
  • conseguir construir negócios de crédito, capital markets e serviços em cima dessa base, gerando receita de verdade — e não só “torcida” pelo preço do BTC.

Sem isso, ela tende a ser apenas mais um veículo especulativo ligado à volatilidade do Bitcoin.


Conclusão: um novo player de peso na guerra das “empresas cheias de Bitcoin”

A estreia da Twenty One Capital (XXI) marca um novo capítulo na disputa por quem vai ser a “cara institucional do Bitcoin em Wall Street”.

De um lado, Strategy continua como maior tesouraria corporativa de BTC.
Do outro, a Twenty One chega:

  • com um time e sócios pesados (Tether, Bitfinex, SoftBank),
  • já na 3ª posição global em BTC em caixa,
  • e o desafio de provar que consegue ir além de simplesmente segurar Bitcoin em balanço.

Para você, investidor ou trader, a mensagem final é clara:

XXI é mais uma forma de surfar Bitcoin via mercado de ações —
mas continua sendo um ativo alto risco, alta volatilidade, que exige estudo, tamanho de posição bem pensado e gestão de risco séria.

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