Tokenização + Stablecoins: a base da próxima geração do sistema financeiro

blockchain-financeira-global-pagamentos.jpg

Entenda como a combinação de tokenização de ativos reais e stablecoins está construindo a infraestrutura da próxima geração financeira com liquidação instantânea, interoperabilidade global, maior eficiência e inclusão.

Introdução

Vivemos um momento de transformação no sistema financeiro global não apenas com novas carteiras e plataformas, mas com uma mudança estrutural: a união entre tokenização de ativos (real-world assets) e stablecoins (dinheiro digital estável) tem o potencial de redesenhar como ativos, pagamentos e liquidações funcionam.

Se esse movimento se consolidar, poderemos assistir ao surgimento de uma infraestrutura financeira mais rápida, acessível, inclusiva e global algo muitas vezes chamado de “infraestrutura de próxima geração”. Neste artigo, explico os conceitos, por que 2025 pode ser o ponto de inflexão, os benefícios, os desafios e para quem isso já está fazendo diferença.


O que é essa infraestrutura “de próxima geração”?

Tokenização de ativos + stablecoins como “dinheiro + propriedade digital”

  • Tokenização: transformar ativos do mundo real imóveis, dívidas, títulos, fundos, commodities, etc. em tokens digitais na blockchain, representando propriedade, fração, direitos ou dívida. Isso facilita fracionamento, acesso, liquidez e negociação global.
  • Stablecoins / cash tokenizado: moedas digitais lastreadas em ativos estáveis ou moedas fiduciárias, com valor estável usadas como meio de pagamento ou liquidação. Quando estas stablecoins circulam em rede blockchain, funcionam como “dinheiro digital programável”.

A combinação permite que ativos e o dinheiro convivam no mundo digital, sejam transferidos globalmente, com liquidez, fracionamento e agilidade: ativos tokenizados + dinheiro tokenizado = ecossistema financeiro moderno.

Infraestrutura global, interoperável, 24/7 e programável

Diferente do sistema financeiro tradicional, com horários, jurisdições e sistemas fragmentados, essa infraestrutura permite:

  • Liquidação instantânea (pagamentos, transferências, liquidez) sem intermediários.
  • Acesso global: independentemente de fronteiras ou moeda local, desde que haja conectividade.
  • Fracionamento e democratização: permite que investidores de menor porte acessem ativos antes restritos a grandes investidores.
  • Transparência e segurança, por meio de blockchain, contratos inteligentes e registros imutáveis.

Por que 2025 é visto como ponto de inflexão

Maturidade da tecnologia, adoção institucional e pressões de mercado

Segundo análise da consultoria McKinsey & Company, 2025 pode marcar um “material shift” no setor de pagamentos com stablecoins (cash tokenizado) emergindo como alternativa viável à infraestrutura tradicional, especialmente para pagamentos globais e liquidação.

Além disso, iniciativas de regulamentação, o crescimento no uso, e o aumento da oferta de plataformas preparadas para operar com stablecoins e tokens estão tornando mais viável essa transição.

Reconhecimento institucional e uso real

Instituições financeiras tradicionais, bancos e fundos já começam a considerar stablecoins e tokenização como partes legítimas da infraestrutura financeira. Isso transforma o que era “nicho cripto” em algo com apelo institucional e macroeconômico.

A tokenização de ativos antes vista com ceticismo começa efetivamente a ser aplicada, e stablecoins ganham força como alternativa de dinheiro digital com estabilidade.


Benefícios esperados dessa infraestrutura para finanças globais

A combinação tokenização + stablecoins oferece várias vantagens transformadoras:

  • Liquidez instantânea e global ativos e dinheiro podem ser movidos, liquidados, transferidos de forma rápida e eficiente, 24/7, sem depender de horários bancários ou sistemas tradicionais.
  • Inclusão e democratização de acesso a ativos investidores menores ganham acesso a ativos antes restritos, com possibilidade de compra fracionada.
  • Eficiência e redução de custos menos intermediários, menos burocracia, menos custos de custódia/trâmites físicos, menos atrasos; tudo em cadeia digital.
  • Interoperabilidade e flexibilidade ativos tokenizados e dinheiro tokenizado interoperam, abrindo mercado global, liquidez e novas formas de uso, desde crédito a negociações internacionais.
  • Transparência, rastreabilidade e segurança blockchain e contratos inteligentes garantem registro público, imutável, redução de fraude ou disputas de propriedade.
  • Inovação no mercado financeiro permite novos produtos: finanças embutidas (embedded finance), mercados secundários mais acessíveis, liquidez para ativos ilíquidos, globalização de capital.

Para economias emergentes ou mercados com infraestrutura limitada, isso pode tornar o sistema financeiro muito mais acessível, eficiente e integrado globalmente.


Principais desafios e riscos que precisam ser gerenciados

Apesar do grande potencial, a construção dessa infraestrutura enfrenta obstáculos relevantes:

⚠️ Liquidez real e mercado secundário ainda limitado para muitos ativos tokenizados

Embora a tokenização permita criar tokens de ativos reais, na prática muitos desses ativos têm baixa liquidez, volume reduzido de negociação e dificuldade para revenda especialmente aqueles fora dos grandes mercados. Isso limita o benefício da “liquidez imediata” idealizada.

⚠️ Necessidade de governança robusta, custódia e lastro confiável

Para que stablecoins e tokens representem algo de fato valioso é fundamental que haja estrutura de reservas, custódia, compliance, auditoria e transparência; sem isso, os riscos de desvalorização, falhas ou perda de confiança são elevados.

⚠️ Regulação, interoperabilidade entre jurisdições e padronização

Para escala global, é necessário alinhamento regulatório, padrões de tokenização e interoperabilidade entre diferentes sistemas algo ainda em construção. A falta de harmonização pode criar fragmentação, incerteza ou risco regulatório.

⚠️ Maturidade tecnológica e adoção institucional

Ainda há desafio de adoção em massa: tecnologia, infraestrutura, integração com sistemas legados, educação de usuários, aceitação de mercados tradicionais. Até que isso se consolidar, muitos ativos ou operações podem continuar fora da “infraestrutura tokenizada”.

⚠️ Risco sistêmico e estabilidade monetária

Como alerta o Bank for International Settlements (BIS), stablecoins e tokenização passam por “testes de integridade, elasticidade e singularidade” ou seja, devem provar que podem operar de forma segura como parte do sistema monetário sem provocar desequilíbrios.


Exemplos práticos o que já está acontecendo

  • Em 2025, diversos relatórios e artigos afirmam que stablecoins e “cash tokenizado” estão se tornando parte da infraestrutura global de pagamentos com uso crescente para pagamentos internacionais, tesouraria, liquidez imediata e transferências.
  • A tokenização de ativos reais vem sendo apontada como a “próxima onda” capaz de transformar mercados de capitais permitindo que ativos antes ilíquidos ou exclusivos sejam democráticamente acessíveis.
  • A adoção institucional está crescendo: bancos, fintechs e provedores de pagamento consideram a transição para sistemas compatíveis com stablecoins e tokens como uma forma de modernizar operações, reduzir custo e ampliar alcance global.

O que observar de agora para frente tendências e alertas

  • Aprofundamento da regulação e governança de stablecoins e ativos tokenizados para garantir segurança, lastro, transparência e estabilidade.
  • Desenvolvimento de infraestrutura escalável e interoperável custódia, gateways, plataformas de negociação, integração entre diferentes redes / jurisdições.
  • Aumento da adoção institucional bancos, empresas, fintechs usando stablecoins e tokens para tesouraria, liquidez, pagamentos internacionais, finanças corporativas.
  • Expansão de mercados secundários e liquidez real para que tokenização cumpra a promessa de liquidez e acesso global aos ativos.
  • Educação do mercado tanto de investidores como reguladores e usuários finais sobre riscos, benefícios, governança e funcionamento da nova infraestrutura.

Conclusão

A combinação de tokenização de ativos reais + stablecoins (cash tokenizado) representa, na minha visão, um dos caminhos mais sólidos e revolucionários para o futuro das finanças globais uma infraestrutura moderna, eficiente, inclusiva e com alcance global.

Se for bem construída com governança, regulação, transparência e adoção é possível que vejamos uma transformação profunda: ativos e dinheiro dialogando na mesma rede, liquidez global, acesso democratizado a ativos antes restritos, e finanças mais fluidas e integradas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

0

Subtotal