Saiba como stablecoins estão revolucionando remessas e pagamentos internacionais: custos menores, liquidação rápida e acesso global especialmente benéfico para economias emergentes com câmbio instável ou restrições bancárias.
Introdução
Transferir dinheiro entre países seja remessa para familiares, pagamento a fornecedores no exterior ou comércio internacional normalmente envolve custos altos, taxas de conversão, intermediários, demora de dias para compensação e incertezas, principalmente para quem vive em mercados emergentes.
As stablecoins surgem como uma alternativa interessante: são criptomoedas com paridade a moedas fiduciárias (como dólar, euro etc.), e aproveitam a infraestrutura da blockchain para permitir que valor seja enviado quase instantaneamente, de forma global, com custos geralmente muito menores do que transferências tradicionais.
Nos próximos parágrafos, vamos entender como e por que stablecoins estão ganhando espaço para remessas internacionais, quais benefícios elas oferecem especialmente para economias emergentes , mas também quais são os desafios e o que observar com cautela.
Por que stablecoins fazem sentido para remessas e pagamentos internacionais
Velocidade e liquidação imediata
Ao contrário dos métodos tradicionais que envolvem correspondent banking, intermediários e demoras (dias de compensação, fusos horários, janelas bancárias) as transações com stablecoins ocorrem em redes blockchain, 24/7. Isso permite que o dinheiro chegue de forma quase instantânea, independentemente de horário, dia da semana ou fronteiras.
Para quem envia ou recebe em mercados emergentes, isso significa mais previsibilidade, agilidade, menos espera e menos burocracia.
Custos drasticamente menores
Taxas de remessas internacionais tradicionais costumam ser elevadas muitas vezes percentuais altos sobre o valor enviado, além de spreads de câmbio e tarifas. Estudos recentes apontam que remessas via stablecoins podem custar uma fração disso devido à eliminação de intermediários bancários e redução de camadas operacionais.
Para famílias e pessoas que dependem de remessas, o menor custo pode representar economia significativa no final do mês. Isso pode tornar transferências internacionais muito mais acessíveis para quem está fora do circuito bancário tradicional.
Acesso para não bancarizados e inclusão financeira
Como stablecoins operam via blockchain e carteiras digitais, basta ter acesso à internet e a uma wallet para enviar ou receber fundos sem a necessidade de conta bancária tradicional.
Em países onde grande parte da população está sub-bancarizada, com sistemas bancários frágeis ou restrições cambiais, isso pode representar uma porta de entrada para serviços financeiros, remessas internacionais e preservação de valor.
Estabilidade de valor (em relação à moeda fiduciária)
Por serem “pareadas” a moedas como o dólar ou euro, stablecoins não têm a alta volatilidade típica das criptomoedas como Bitcoin. Isso garante que o valor enviado ou recebido não oscile drasticamente durante a transferência, ideal para quem precisa de segurança e previsibilidade.
Transparência, rastreabilidade e liquidez global
Transações em blockchain são registradas publicamente (ou verificavelmente), com rastreabilidade e sem a necessidade de intermediários. Isso facilita auditoria, compliance e confiança.
Além disso, stablecoins oferecem liquidez global quem está em um país pode receber em stablecoin e converter para local ou gastar digitalmente, sem depender de sistemas bancários locais ou intermediários onerosos.
Benefícios para mercados emergentes e populações vulneráveis
Para países emergentes ou regiões com economia instável, inflação alta, restrições cambiais ou infraestrutura bancária limitada, stablecoins podem oferecer um conjunto de vantagens bastante relevantes:
- Remessas internacionais acessíveis e baratas: migrantes que enviam dinheiro para suas famílias podem reduzir custo e tempo de envio.
- Preservação de valor e mitigação cambial: ao manter saldos em stablecoin pareada ao dólar ou moeda forte, é possível escapar da desvalorização da moeda local.
- Inclusão financeira e acesso a serviços digitais: pessoas sem conta bancária podem usar wallets para receber pagamentos, remessas, fazer transações e participar do sistema financeiro global.
- Facilidade para pequenas empresas e freelancers que operam internacionalmente: pagamentos e recebimentos de serviços remotos tornam-se mais simples, rápidos e confiáveis.
- Agilidade em comércio internacional e pagamentos B2B cross-border: empresas que importam/exportam ou têm fornecedores internacionais ganham eficiência e previsibilidade nas transações.
Em mercados emergentes, isso pode representar uma verdadeira revolução de acesso, liquidez e inclusão financeira.
Exemplos de como as stablecoins estão sendo usadas para remessas e pagamentos internacionais
- Segundo análises recentes, empresas de pagamentos internacionais e remessas já estão implementando stablecoins como alternativa aos sistemas tradicionais de remessa atraídas por menores taxas, rapidez e transparência.
- Acordos e soluções de “tesouraria digital global” (corporate treasuries) estão migrando para stablecoins/tokens especialmente para empresas com operações globais, que buscam liquidez instantânea, pagamentos transfronteiriços e eficiência de capital.
- Em mercados emergentes, stablecoins vêm sendo usadas para enviar remessas internacionais de forma mais barata e rápida do que remessas bancárias tradicionais inclusive para populações não bancarizadas ou com difícil acesso a bancos.
Limitações, riscos e desafios a considerar
Apesar do potencial alto, o uso de stablecoins para remessas internacionais não é isento de desafios especialmente no contexto de mercados emergentes:
Regulamentação, compliance e governança
Stablecoins dependem de infraestrutura regulatória e de compliance para evitar lavagem de dinheiro, evasão fiscal, fraudes, e garantir lastro real. Em muitos países emergentes, a regulação ainda é incerta, o que pode gerar riscos.
Adoção local e conversão para moeda fiduciária
Para que o receptor possa converter stablecoin em moeda local ou gastá-la, é necessário existir infraestrutura (exchanges, casas de câmbio, carteiras compatíveis). Sem isso, o benefício pode ser limitado, especialmente em regiões com sistema financeiro pouco desenvolvido.
Risco de contrapartes ou de lastro (dependendo da stablecoin)
Embora stablecoins sejam “estáveis”, sua segurança depende da reserva que as lastreia: se o emissor for de confiança, com reservas auditadas, o risco é menor; senão, há risco de desvalorização, falhas ou problemas de resgate.
Dependência de infraestrutura digital e conectividade
Para usar stablecoins é necessário acesso a internet, smartphone ou computador e wallet digital o que em regiões pobres ou remotas pode representar barreira e limitar adoção.
Educação financeira e confiança do usuário
Muitas pessoas em mercados emergentes não estão acostumadas com criptomoedas, blockchain ou wallets usar stablecoins exige conhecimento, cuidado, e confiança no sistema. Sem isso, a adoção pode ser lenta ou limitada.
Cenário e perspectivas para os próximos anos
- A tendência é que stablecoins e tokens ganhem cada vez mais espaço em remessas internacionais, pagamentos cross-border, comércio global e tesouraria especialmente em economias emergentes com mercados cambiais frágeis e necessidade de liquidez global.
- Com a maturidade da infraestrutura, redução de custos e surgimento de regulamentações mais claras, stablecoins podem se consolidar como uma opção competitiva e confiável para remessas, especialmente para migrantes, freelancers internacionais e pequenas empresas que atuam globalmente.
- A adoção por parte de instituições financeiras, fintechs e empresas pode aumentar a liquidez, tornar stablecoins mais acessíveis e facilitar conversão para moeda local, reduzindo barreiras de entrada.
- A combinação com FinTechs locais (wallets, exchanges, plataformas de pagamento) e iniciativas de inclusão financeira pode ajudar a expandir o acesso para populações tradicionalmente excluídas do sistema bancário.
Conclusão
Stablecoins e tokens representam uma oportunidade real e promissora para transformar a forma como fazemos pagamentos internacionais e remessas especialmente em mercados emergentes, onde o sistema tradicional muitas vezes falha: por custos altos, burocracia, demora, volatilidade cambial ou falta de acesso bancário.
Com liquidação rápida, custos baixos, acesso global e possibilidade de inclusão, stablecoins podem facilitar que pessoas e empresas enviem dinheiro, recebam remessas ou operem globalmente de forma mais justa e eficiente.
Por outro lado como toda inovação disruptiva é preciso cautela: considerar questões de governança, regulação, infraestrutura, educação e risco de contraparte.
Para quem pensa em atuar internacionalmente transferir recursos, fazer remessas ou negócios globais vale acompanhar de perto essa evolução.



