Solana virou o “ultra-high-frequency” do DeFi: desempenho a custo de quê?

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Em 2025, a Solana domina DeFi e DEX, testa 1 milhão de TPS com o Firedancer e discute remover limites de bloco. Entenda o que isso significa em desempenho, risco e centralização.


Introdução: por que todo mundo fala da “era Solana” no DeFi

Se você acompanha mercado cripto, já percebeu: em 2025, DeFi e DEX viraram praticamente sinônimo de Solana.

Os números ajudam a entender o hype:

  • dApps na Solana já geram centenas de milhões de dólares em receita por trimestre, superando Ethereum, Tron e BNB em participação de receita de dApps.
  • no 1º semestre de 2025, a rede capturou 43% de todo o volume global de DEX e processou 81% de todas as transações de DEX em blockchain, com US$ 1,05 trilhão em volume só em H1.
  • taxas médias na casa de US$ 0,0002 a 0,0003 por transação tornam viável rodar estratégias de alta frequência, perps e memecoins de forma quase “fricção zero”.

Ao mesmo tempo, o ecossistema segue em modo “overdrive” técnico, com:

  • Firedancer, cliente validador em C++ da Jump Crypto, já rodando em modo híbrido (Frankendancer) em cerca de 7–10% da stake/validadores;
  • testes de mais de 1 milhão de TPS em ambiente controlado;
  • e uma proposta polêmica, a SIMD-0370, que pretende remover o limite fixo de computação por bloco, deixando a capacidade escalar conforme o hardware de cada validador.

A pergunta que interessa para trader, dev e investidor é simples:

Solana virou o “ultra-high-frequency” do DeFi. Mas desempenho assim vem a custo de quê?


1. Solana dominando DeFi e DEX em 2025

1.1. Receita de dApps: Solana na frente de Ethereum e BSC

Relatórios de 2025 mostram a Solana em lead consistente de receita de dApps:

  • no 2º tri de 2025, dApps em Solana geraram algo na faixa de US$ 560 a 570 milhões, respondendo por ~46% de toda a receita de dApps do mercado, à frente de Ethereum, Tron e BNB.
  • em alguns meses, a Solana concentrou mais de 50% da receita de dApps entre as principais chains.

Essa receita vem principalmente de:

  • DEXs (Raydium, Jupiter, Orca, Photon);
  • perp DEXs e plataformas de trading avançado;
  • memecoins e plataformas de lançamento como Pump.fun, que já chegaram a representar mais de 60% de toda a receita de dApps da rede em alguns períodos.

1.2. DEX volume: 81% das transações, 43% do volume global

Um relatório de H1 2025 mostra:

  • 81% de todas as transações de DEX em blockchain acontecem na Solana;
  • a rede captura 43% de todo o volume global de DEX;
  • foram US$ 1,05 trilhão em volume de DEX só no primeiro semestre, com TVL de ~US$ 8,9 bilhões e crescimento de 18% QoQ.

Ou seja, mesmo com TVL ainda atrás do Ethereum, a Solana domina onde dói para trader: volume, execução e receita de protocolo.


2. Arquitetura de alta performance: TPS alto e fees quase zero

2.1. TPS prático e custo por transação

Na prática, a Solana roda com:

  • blocos ~400 ms;
  • throughput efetivo na casa de 1.000+ TPS em uso real;
  • e taxas típicas por transação em torno de US$ 0,00025, mesmo em períodos de congestionamento por memecoins.

Essa combinação cria um ambiente perfeito para:

  • DEXs de alta rotação, com milhões de ordens pequenas;
  • perpetuals on-chain, que exigem atualizações constantes de posições;
  • memecoins e launchpads, onde o custo de interação precisa ser praticamente irrelevante.

2.2. DeFi crescendo em cima dessa base

O relatório de Q2 2025 mostra que o DeFi na Solana:

  • tem TVL acima de US$ 8,6–8,9 bi, crescimento de ~30% QoQ;
  • é liderado por protocolos como Kamino, Raydium e Jupiter, todos com TVL na casa de bilhões;
  • tem relação receita/fee (App RCR) acima de 200%, ou seja, os apps conseguem capturar bem mais valor do que se paga em taxa de rede.

Na prática, isso mostra que a Solana não é só “performance bonita no paper” – a performance está sendo monetizada.


3. Firedancer e Frankendancer: o “motor novo” da Solana

3.1. O que é o Firedancer

Firedancer é um cliente validador da Solana, reescrito do zero em C++ pela Jump Crypto. Ele traz:

  • implementação independente do cliente original (Agave/Jito em Rust);
  • foco em massiva paralelização e uso eficiente de hardware moderno;
  • ganho de diversidade de cliente (ponto crítico para segurança em qualquer L1).

Hoje a rede tem:

  • Agave/Jito rodando em cerca de 90%+ da stake;
  • Firedancer em modo híbrido (“Frankendancer”) em crescimento ~7% da stake em abril (34 validadores) e algo em torno de 10% dos validadores por volta de meados de 2025, segundo relatórios e análises recentes.

3.2. Testes de 1 milhão de TPS

Em um workshop apresentado no Breakpoint 2024, a equipe mostrou que o Frankendancer/Firedancer:

  • atingiu >1,04 milhão de TPS em ambiente de stress test, com:
    • aumento de limite de compute de 48M para ~600M por bloco;
    • aumento de limite de shreds por bloco de 32 mil para ~1 milhão;
    • nós com NICs de 10 Gbps e servidores dual-socket de 40 cores.

Claro: isso é teste sintético, não mainnet. Mas mostra o teto teórico de throughput quando o software não é o gargalo.

3.3. Por que ainda não vemos 1 milhão de TPS “no mundo real”?

Mesmo com Firedancer, a Solana hoje é limitada por fatores como:

  • bloco de ~400 ms e latência de rede global;
  • necessidade de convivência com o cliente dominante (Agave);
  • configuração de parâmetros de consenso mais conservadores para proteger a estabilidade da mainnet.

É o famoso caso de “Ferrari presa no trânsito da cidade”: o motor é capaz, mas o ambiente limita o quanto dá pra acelerar.


4. SIMD-0370: remover o limite de compute por bloco

Hoje, a Solana tem um limite estático de 60 milhões de compute units por bloco.

A proposta SIMD-0370, liderada pela equipe do Firedancer, sugere:

  • remover esse limite fixo após o upgrade de consenso Alpenglow;
  • permitir que a capacidade de cada bloco seja definida, na prática, pela capacidade de hardware e tuning de cada validador;
  • validadores poderiam pular blocos que não conseguem processar a tempo, em vez de travar a rede.

Na prática, isso significaria:

  • blocos potencialmente muito mais “gordos” em períodos de alta demanda;
  • a rede conseguindo absorver picos massivos de volume, ideal pra DEXs e perps;
  • mas, ao mesmo tempo, abrindo a porta para um novo trade-off:

quanto mais você exige de hardware, mais difícil fica para pequenos validadores acompanharem.


5. O outro lado: descentralização, risco tecnológico e “limite físico”

5.1. Performance vs descentralização

Alguns pontos de atenção que relatórios recentes destacam:

  • apesar da melhora em descentralização de validadores, boa parte da stake ainda está concentrada em poucos provedores de data center;
  • a rede carrega um histórico de outages anteriores (como em fevereiro de 2024), o que faz parte do mercado enxergar Solana como tendo risco tecnológico maior que Ethereum;
  • o arquivo histórico da rede já passa de centenas de terabytes, o que complica indexação e análise de dados.

Ou seja, a filosofia é claramente “performance first”, enquanto Ethereum prioriza mais robustez e tolerância a falhas, segundo análises de grandes casas de research.

5.2. Limite físico: latência global

Mesmo com software perfeito, existe um limite duro de física:

  • mensagens de consenso e dados precisam cruzar o planeta;
  • isso coloca um piso prático na latência de bloco (hoje ~400 ms);
  • para trading HFT extremo (tipo “co-location de bolsa”) isso ainda é lento; por isso surgem propostas de infra mais centralizada em poucos hubs (como redes compatíveis com SVM rodando Firedancer em datacenters específicos).

Quanto mais se empurra na direção de reduzir latência via concentração geográfica, mais você sacrifica descentralização real. É aí que o debate esquenta.


6. O que isso significa para trader, dev e investidor

6.1. Para o trader DeFi / perps

Pontos práticos:

  • Execução: Solana hoje é, de longe, o ambiente on-chain mais competitivo para trades rápidos, size médio e alta rotatividade. Fee quase zero muda completamente a curva de custos de estratégias de fluxo e scalping.
  • Risco de infra: quem opera alavancado on-chain precisa aceitar o risco de:
    • degradação temporária de performance;
    • bugs de cliente;
    • eventuais interrupções (mesmo que cada vez mais raras).

Gestão de risco aqui é muito mais do que stop-loss – é também diversificar venue e modelo de margem (CEX vs DEX, redes diferentes).

6.2. Para desenvolvedores

  • Solana virou primeiro destino para:
    • DEXs de alto throughput;
    • perp DEXs on-chain;
    • bots, memecoins, infra de DePIN e RWA em alta frequência.
  • Em troca, o dev aceita uma stack mais complexa (SVM, paralelização, accounts model) e uma curva de risco tecnológico maior que a de uma EVM madura.

6.3. Para o investidor em SOL

  • O bull case é claro:
    • liderança em receita de dApps,
    • domínio em DEX volume,
    • story forte em performance, DeFi, DePIN e RWAs.
  • O bear case passa por:
    • risco tecnológico e histórico de outages;
    • possível concentração crescente de validadores de alto hardware;
    • concorrência de outras L1/L2 focadas em performance.

Em qualquer cenário, SOL continua sendo um ativo volátil e de alto risco, que exige posição compatível com o perfil do investidor e gestão de risco ativa.


FAQ – Perguntas frequentes sobre Solana, DeFi e throughput

1. Solana realmente responde por 81% das transações em DEX?
Sim. Relatórios de H1 2025 indicam que a Solana processa 81% de todas as transações de DEX on-chain, capturando cerca de 43% de todo o volume global de DEX e mais de US$ 1 trilhão em volume só no primeiro semestre.


2. O teste de 1 milhão de TPS do Firedancer aconteceu mesmo?
Sim, mas em ambiente de teste controlado. No Breakpoint 2024, o time mostrou o Frankendancer processando ~1,04 milhão de TPS em uma rede de 10 nós com hardware de ponta, após aumentar os limites de compute/shreds por bloco. Isso não é throughput real de mainnet, mas indica o teto teórico da arquitetura com software otimizado.


3. O que é a proposta SIMD-0370 na Solana?
A SIMD-0370 é uma proposta da equipe do Firedancer para remover o limite fixo de 60 milhões de compute units por bloco. A ideia é deixar o bloco escalar de acordo com a capacidade do hardware/cliente de cada validador, com validadores podendo pular blocos que não conseguirem processar. Isso aumenta o teto de throughput, mas também levanta preocupação sobre excluir validadores com hardware mais fraco.


4. Com tanta performance, a Solana não fica centralizada demais?
Esse é o principal ponto de debate. Por um lado, a rede vem melhorando a descentralização de validadores e a diversidade de clientes (Agave, Jito, Firedancer, Mithril, Sig). Por outro, o foco em throughput alto tende a favorecer validadores com hardware caro e data centers profissionais, além de ainda existir dependência relevante de poucos provedores de hosting. A discussão “desempenho vs descentralização” está longe de terminar.


5. A Solana “substitui” o Ethereum no DeFi?
Hoje, o cenário real é mais de especialização do que substituição:

  • Ethereum continua sendo o hub principal de liquidez institucional, RWAs e DeFi mais conservador, com forte ecossistema de L2;
  • Solana se posiciona como o “ultra-high-frequency” do DeFi, para casos de uso que exigem altíssima taxa de transações e fees baixíssimos (DEXs, perps, bots, memecoins).

Conclusão: Solana como “motor turbo” do DeFi – e os riscos que vêm no pacote

Em 2025, a Solana consolidou um papel claro:

ser o motor turbo do DeFi de alta frequência, dominando transações em DEX, receitas de dApps e empurrando os limites de throughput com Firedancer e propostas como a SIMD-0370.

Para quem opera ou investe, o recado é duplo:

  • existe uma oportunidade real em estar onde liquidez, volume e inovação técnica estão acontecendo;
  • mas também existe um conjunto de riscos de tecnologia, centralização e modelo de rede — que não podem ser ignorados

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