Bond ETFs em alta e ouro como seguro: o novo equilíbrio de 2025

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Bond ETFs acumulam dezenas de semanas de entradas, enquanto ETFs de ouro e metais preciosos voltam ao foco como hedge. Entenda como renda fixa e metais podem se complementar na sua carteira em 2025.

Se 2024 foi o ano do “cash é rei”, 2025 está consolidando outro trio de protagonistas: bond ETFs como espinha dorsal da carteira, ouro e metais preciosos como seguro e ações como motor de crescimento.

Relatórios recentes indicam mais de 30 semanas seguidas de entradas em bond funds/ETFs globais, com US$ 52 bilhões só em outubro via ETFs, e foco em títulos de curto e médio prazo.

Ao mesmo tempo, os ETFs de commodities – especialmente ouro e prata físicos – voltaram ao radar, com cerca de US$ 9,6 bilhões de entradas em outubro, liderados por produtos como Japan Physical Gold ETF e Japan Physical Silver ETF, segundo a ETFGI.

Neste artigo, você vai ver como esses dois blocos se encaixam:

  • bond ETFs como coluna vertebral de renda e proteção;
  • ouro e metais como seguro de portfólio em cenário de incerteza.

Bond ETFs como coluna vertebral da carteira

Os fluxos falam por si:

  • dezenas de semanas seguidas de entradas em bond funds;
  • bilhões alocados todos os meses em ETFs de títulos públicos e crédito privado;
  • preferência por duration curta e intermediária, que sofrem menos com volatilidade de juros.

Por que isso está acontecendo?

  • Juros em queda, mas ainda atrativos
    Com os bancos centrais começando ciclos de corte, muitos títulos ainda carregam cupons interessantes. Comprar via ETF permite travar parte desse retorno e, potencialmente, ganhar com a valorização do preço do bond.
  • Renda recorrente com liquidez de bolsa
    Bond ETFs pagam cupons (via distribuição) e são negociados em bolsa – o que facilita entrada e saída, diferente de um título individual comprado direto em mercado primário.
  • Base de portfólio para absorver choques
    Em choques de mercado, uma carteira só com ações tende a oscilar demais. Uma base de renda fixa de qualidade ajuda a suavizar a volatilidade.

Importante: bond ETFs não são “livres de risco”. Eles sofrem com:

  • marcação a mercado (queda de preço se a curva de juros abre);
  • risco de crédito em ETFs que carregam corporate bonds ou high yield;
  • risco cambial, quando o ETF é dolarizado e você investe em reais.

O papel deles é reduzir o risco total da carteira, não eliminá-lo.


Ouro e metais preciosos voltando como hedge via ETFs

Ao mesmo tempo em que o dinheiro corre para bonds, os ETFs de ouro e metais preciosos voltaram a ter um papel relevante como hedge:

  • ETFs de commodities tiveram cerca de US$ 9,6 bilhões de entradas em outubro de 2025, acima do ritmo de 2024;
  • produtos físicos de ouro e prata listados na Europa e no Japão apareceram entre os líderes de captação global em ETPs.

O pano de fundo:

  • juros em queda reduzem o “custo de oportunidade” de carregar ouro;
  • incerteza geopolítica e dúvidas sobre a sustentabilidade do rally de IA estimulam busca por proteção;
  • investidores querem um ativo que tenha correlação baixa com ações de tecnologia.

Na prática, você tem três grandes caminhos:

  • ETFs de ouro físico
    Replicam diretamente o preço do metal, menos expostos a risco operacional de empresas.
  • ETFs de mineradoras de ouro e prata
    Têm beta maior: sobem mais quando o metal sobe, mas também caem mais em ciclos de baixa.
  • Fundos multimercado com ouro na estratégia
    Podem usar ouro como parte da alocação, mas aí você compra o pacote inteiro do gestor.

Como encaixar bond ETFs e ouro/metais na mesma carteira

Uma abordagem simples é pensar em “camadas”:

  • Camada de estabilidade: bond ETFs de qualidade (governo, IG, duration curta/média).
    Objetivo: renda e redução de volatilidade.
  • Camada de proteção: ouro/metais preciosos via ETF físico.
    Objetivo: hedge contra choques geopolíticos, inflação surpresa, correções fortes de mercado.
  • Camada de crescimento: equity ETFs globais, temáticos, small caps etc.
    Objetivo: apreciação de capital no longo prazo.

Proporções dependem do seu perfil de risco, mas mesmo investidores mais agressivos costumam reservar:

  • uma fatia significativa (30–60%) para renda fixa;
  • uma pequena fatia (3–10%) para ouro/metais, como apólice de seguro.

Lembrando: hedge é custo, não magia. Em alguns períodos, ouro pode ficar de lado ou até cair enquanto a bolsa sobe. O papel dele é proteger nos piores cenários, não bater o CDI todo ano.


FAQ – Perguntas frequentes

Bond ETFs são mais seguros que títulos individuais?
Não necessariamente. Eles diluem o risco de crédito (vários títulos na carteira), mas continuam expostos a juros e a eventuais crises de crédito. A grande vantagem é a diversificação automática e a liquidez de bolsa.

Faz sentido ter só bond ETFs na carteira para “não perder dinheiro”?
Ter apenas renda fixa reduz a volatilidade, mas também limita o potencial de retorno real no longo prazo. Para muitos perfis, uma combinação de bonds + ações faz mais sentido que 100% em renda fixa.

Ouro em ETF é melhor que ouro físico?
Para a maioria dos investidores, sim, por causa da praticidade, liquidez e menor custo de armazenamento/segurança. Mas quem tem foco em proteção extrema (cenários muito extremos) pode preferir parte em metal físico.

Qual percentual de ouro faz sentido em uma carteira?
Não existe número mágico. Estudos clássicos apontam algo entre 3% e 10% como faixa razoável para diversificação, mas isso depende do seu apetite a risco e da volatilidade que você tolera.

Metais preciosos substituem totalmente a renda fixa como proteção?
Não. Eles atuam como hedge de cenário extremo. Renda fixa continua sendo a principal âncora de estabilidade, enquanto o ouro/metais funcionam como “seguro complementar”.


Conclusão

Os fluxos de 2025 deixam claro: bond ETFs se consolidaram como coluna vertebral da carteira global, enquanto o ouro e outros metais preciosos voltam ao holofote como hedge em um mundo de IA cara, transição energética e incerteza geopolítica.

Combinar esses dois blocos com uma camada saudável de ações via ETFs pode ser uma forma robusta de navegar o ciclo de queda de juros – sem abrir mão de proteção nem de crescimento.

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