Pós-hype do restaking: por que o TVL dos LRTs despencou 37% e o que isso sinaliza para o DeFi 2.0?

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O TVL dos protocolos de liquid restaking caiu cerca de 37% desde o pico (de ~US$ 18,3 bi para ~US$ 12 bi). Entenda os motivos: queda de incentivos, normalização do “points meta”, riscos do restaking, e por que a Ether.fi se destacou mesmo com a correção.

Introdução

Em 2024, “restaking” virou a narrativa mais barulhenta do Ethereum: uma promessa de multiplicar o yield do ETH ao “reaproveitar” segurança para outros serviços. No topo do hype, liquid restaking tokens (LRTs) viraram a forma mais popular de entrar nessa onda sem travar liquidez. O problema é que, como quase todo ciclo de DeFi, quando o incentivo diminui e o risco fica mais claro, o TVL sente.

É exatamente isso que os dados mostram: o TVL agregado de liquid restaking caiu ~37% desde o pico em dezembro de 2024, saindo de “mais de US$ 18,3 bi” para “~US$ 12 bi”, segundo leitura com base em dados do DeFiLlama. The Defiant Hoje, o próprio painel do DeFiLlama mostra o total do segmento na faixa de ~US$ 11,5 bi, coerente com essa “normalização” pós-pico. defillama.com

A pergunta relevante não é “acabou o restaking?”, e sim: o que essa correção revela sobre a maturidade do DeFi 2.0 e sobre como avaliar yield quando a narrativa esfria?

O que é liquid restaking e por que o TVL cresceu tão rápido

Restaking (popularizado pelo EigenLayer) é a ideia de usar ETH (ou LSTs como stETH) para fornecer segurança a serviços validados ativamente (AVSs) — uma camada de “segurança compartilhada” no ecossistema Ethereum.

Liquid restaking é a “camada de varejo” em cima disso: protocolos emitem um token líquido (LRT) representando sua posição restakeada, permitindo que o usuário continue usando esse token em DeFi (colateral, pools, estratégias) enquanto participa do restaking.

Em termos de crescimento, o boom foi puxado por:

  • expectativa de “yield em camadas” (staking + restaking + incentivos);
  • programas de pontos e campanhas (quase sempre temporárias);
  • narrativa de “infraestrutura do próximo ciclo” (DeFi 2.0).

O que os números indicam: a correção em USD e em ETH

Dois pontos ajudam a ler a queda sem distorção:

  • TVL em USD cai (ou sobe) também por preço do ETH e outros efeitos de mercado.
  • Métricas em ETH ajudam a ver o “fluxo real” de depósitos/retiradas.

O EigenLayer continua como referência do setor, mas também recuou: há registro de ~4,4 milhões de ETH restakeados, abaixo do topo de ~5,4 milhões de ETH. The Defiant Isso reforça que a correção não foi “só preço”: houve redução de exposição.

Por que o TVL dos LRTs despencou 37%: os 5 motores mais prováveis

A leitura mais consistente combina incentivos, estrutura de risco e maturidade de receita.

Incentivos menores: quando o “points meta” perde força, o capital sai

A explicação mais direta é a mais comum em DeFi: queda de recompensas e incentivos reduz a demanda por travar capital em estruturas mais complexas. A própria análise do setor destaca que a retração veio com incentivos cortados e demanda desacelerando, com exceções pontuais. The Defiant

Em linguagem prática: se o yield extra era muito dependente de campanhas, a “taxa de permanência” do TVL tende a cair quando o marketing financeiro esfria.

A realidade do risco fica mais visível: slashing, AVSs e superfície de ataque

Restaking adiciona camadas de risco:

  • risco operacional (operadores/infra);
  • risco de design (regras de slashing e condições de penalidade);
  • risco de smart contracts (mais pontos de falha);
  • risco sistêmico (efeito cascata se algo “quebrar” em uma camada de segurança compartilhada).

Quando o mercado está eufórico, isso é “detalhe técnico”. Em correções, vira o foco.

O “trade-off” liquidez vs complexidade pesou

O LRT é líquido, mas não é “equivalente a ETH”. Em momentos de stress, surgem:

  • spreads maiores;
  • desalinhamentos momentâneos de preço;
  • queda de apetite por colateral “novo” em protocolos de empréstimo e pools.

Quando a liquidez marginal some, o TVL tende a retrair mais rápido do que cresce.

Menos hype, mais comparação: o capital volta para estruturas simples

Com o mercado mais seletivo, muitos participantes comparam:

  • staking “puro” (LSTs tradicionais);
  • lending com risco mais “entendível”;
  • estratégias mais conservadoras.

O resultado natural é uma rotação: sai de estruturas de “yield empilhado” e vai para risco mais previsível.

Descompasso entre promessa e receita: DeFi 2.0 precisa de cashflow, não só TVL

O argumento “DeFi 2.0” só se sustenta quando há:

  • serviços reais pagando pela segurança (AVSs com demanda);
  • geração de taxas consistente;
  • governança clara sobre distribuição de valor.

Sem isso, o TVL vira “capital turístico”: entra por incentivo e sai quando a fase muda.

Por que a Ether.fi aparece como exceção (e o que isso ensina)

A própria leitura do mercado aponta a Ether.fi como exceção em meio à queda. The Defiant Um fator recorrente em coberturas de 2025 é a capacidade do protocolo de reter depósitos mesmo com o hype diminuindo, incluindo relatos de ~2,6 milhões de ETH em depósitos em determinados momentos. CoinDesk

Na prática, a “resiliência” costuma vir de uma combinação de:

  • distribuição e marca;
  • integrações e utilidade do token (composability real);
  • incentivos melhor desenhados (menos “pico e vale”);
  • narrativa institucional (quando existe) e produto mais completo.

Isso não é garantia de segurança nem de retorno. É apenas uma pista de que, quando o mercado esfria, utilidade e distribuição contam mais que a narrativa.

O que esse episódio sinaliza para o DeFi 2.0

A queda de 37% pode ser lida como um filtro saudável:

  • DeFi 2.0 não é “mais TVL”; é TVL com receita, risco precificado e utilidade contínua.
  • LRTs tendem a sobreviver como produto, mas com crescimento mais ligado a fundamentos (AVSs pagando, governança sólida, risco controlado).
  • O mercado está reprecificando o “yield em camadas”: quanto mais camadas, maior a exigência de transparência e gestão de risco.

Como acompanhar o setor sem cair em narrativa (checklist de gestão de risco)

  • Ver TVL em USD e em ETH (para separar preço de fluxo). defillama.com+1
  • Monitorar concentração (quanto do setor está em 1 a 2 protocolos). defillama.com
  • Entender fontes de “yield”: taxas reais vs incentivos temporários. The Defiant
  • Mapear riscos: slashing, operadores, auditorias e dependências.
  • Definir tamanho de posição: LRT é ativo de risco; faz sentido apenas como parcela compatível com seu perfil.

FAQ

O que é liquid restaking (LRT)?
É um modelo em que você participa do restaking (ex.: ecossistema do EigenLayer) recebendo um token líquido (LRT) que pode ser usado em DeFi, em vez de ficar travado. The Defiant

O TVL caiu 37% por causa do preço do ETH?
Preço influencia TVL em USD, mas houve também redução em métricas em ETH no ecossistema (ex.: EigenLayer abaixo do pico de 5,4M para ~4,4M ETH). The Defiant

Por que o TVL caiu tanto?
Principalmente por incentivos menores, normalização do hype e reprecificação de riscos (complexidade, slashing, liquidez e dependências). The Defiant

Ether.fi foi mesmo exceção? Por quê?
Relatos e leituras do setor apontam Ether.fi como uma exceção em retenção, e coberturas registram volumes relevantes de depósitos em ETH mesmo com a queda do hype. CoinDesk+1

Isso significa que restaking “morreu”?
Não necessariamente. Significa que o mercado está exigindo mais fundamentos (receita real, utilidade e risco bem definido) e menos “TVL movido a incentivo”. The Defiant+1

Restaking é adequado para iniciantes?
Em geral, não. É um produto com camadas adicionais de risco. Se fizer sentido, deve ser com posição pequena, objetivo claro e gestão de risco.


Conclusão

A queda de ~37% no TVL de liquid restaking é um retrato clássico de pós-hype: quando incentivos diminuem e riscos ficam explícitos, o capital turístico sai e sobra o que tem fundamento. Os dados do setor mostram essa correção (pico acima de US$ 18,3 bi para ~US$ 12 bi, com o segmento hoje na casa de ~US$ 11,5 bi) e também a redução do restaking em ETH no EigenLayer em relação ao topo. The Defiant+1

O sinal para o DeFi 2.0 é claro: restaking pode ser infraestrutura, mas precisa provar sustentabilidade fora de campanhas. Para o investidor, a regra é simples: entender a fonte do yield, medir o risco por camadas e dimensionar posição de forma conservadora.

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