ETFs de IA em 2025: do hype dos temáticos ao hedge com ETFs alavancados e de venda

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ETFs de IA e defesa lideram fluxos em 2025, enquanto ETFs alavancados e short-bias recebem bilhões como hedge. Entenda o que isso diz sobre o mercado e os riscos para o investidor.


Introdução: o “lado IA” da indústria de ETFs (e o lado sombra do hedge)

Se você olhar só para manchete, parece que 2025 é o ano em que ETFs de IA viraram o novo “queridinho” do mercado.
O que quase ninguém te conta é que, ao mesmo tempo em que o dinheiro corre para IA, outro pedaço do fluxo está indo para ETFs que apostam contra tech e IA.

Relatórios temáticos mostram que, nos EUA, o tema Artificial Intelligence & Big Data lidera os fluxos em ETFs temáticos, com algo em torno de US$ 10,1 bilhões YTD, à frente de narrativas como “Rise of Tension” (defesa) e semicondutores.

Na Europa, uma atualização trimestral da ARK Invest Europe mostra que temáticos de defesa, IA, urânio e cibersegurança empurraram os fluxos para temáticos para cerca de US$ 13,1 bilhões no ano, com defesa e IA dominando a lista.

E enquanto isso:

  • um ETP +3x de IA bate mais de 120% de alta no ano;
  • ETFs short-bias, que ganham com queda de índices e setores ligados a tecnologia e IA, capturam US$ 3,7 bilhões em setembro, maior entrada em quase três anos.

Ou seja:

uma parte do mercado está pisando fundo no acelerador da IA,
e outra parte está montando freio de mão via ETFs de venda e alavancados.

Neste artigo, vamos:

  • destrinchar os fluxos em ETFs de IA, defesa e urânio;
  • explicar o papel dos ETFs alavancados de IA no meio desse hype;
  • mostrar por que short-bias e ETFs inversos estão recebendo bilhões;
  • e, principalmente, como isso tudo se traduz em risco e gestão de carteira para o investidor brasileiro.

1. ETFs de IA e defesa: temáticos viram termômetro de narrativa em 2025

1.1. Estados Unidos: AI & Big Data na dianteira dos temáticos

Um relatório temático da WisdomTree, baseado em dados de Morningstar e Bloomberg até 30/09/2025, mostra que, dentro do universo de ETFs temáticos dos EUA:

  • Artificial Intelligence & Big Data lidera com cerca de US$ 10,1 bilhões em fluxos YTD;
  • “Rise of Tension” (defesa) vem em segundo, com US$ 8,2 bilhões;
  • semicondutores, nuclear e near/reshoring seguem na sequência.

Na lista de ETFs com maiores entradas mensais, aparecem:

  • iShares AI Innovation and Tech Active ETF;
  • Global X Artificial Intelligence & Technology ETF;
  • iShares U.S. Aerospace & Defense ETF;
  • Global X Defense Tech ETF;

todos surfando a combinação de:

  • boom de IA generativa,
  • rearmamento e aumento de gastos em defesa,
  • e foco em semicondutores e infraestrutura crítica.

Na prática, ETFs de IA viram:

  • proxy de aposta em Nvidia + big tech + semicondutores;
  • atalho para capturar a narrativa de “revolução da IA” sem escolher ação a ação.

1.2. Europa: defesa, IA e urânio dominando os temáticos

Na Europa, a ARK Invest Europe mostra que, até o fim do terceiro trimestre de 2025, os temáticos mais fortes em fluxo foram:

  • Global Defence: +US$ 5,93 bi;
  • Europe Defence: +US$ 3,92 bi;
  • Artificial Intelligence: +US$ 2,11 bi;
  • Uranium: +US$ 594 mi;
  • Cybersecurity: +US$ 388 mi.

Somando tudo, temáticos UCITS europeus chegam a cerca de US$ 13,1 bi de entradas no ano, com defesa e IA como protagonistas.

O recado:

ETFs de IA e defesa deixaram de ser só “teminha da moda”
e viraram termômetro de como o mercado lê tecnologia, guerra, energia e risco geopolitico.


2. ETFs alavancados de IA: +120% no ano, mas com risco de “cair do penhasco”

2.1. O caso do +3x Long Artificial Intelligence ETP

Um exemplo citado pela Leverage Shares é o +3x Long Artificial Intelligence ETP, que em 2025 acumula mais de 120% de retorno no ano.

Características:

  • alavancagem 3x longa em um índice de empresas de IA e semicondutores;
  • exposição concentrada em cerca de 13 big names da cadeia de IA (chips, cloud, software);
  • rebalanço diário para manter a alavancagem.

Isso é o melhor exemplo de como:

a mesma narrativa que puxa o fluxo para ETFs de IA também atrai quem quer
potencializar o ganho via alavancagem mesmo com risco muito mais alto.

2.2. O que muitos esquecem sobre ETFs alavancados

Pontos críticos que o investidor precisa ter na cabeça:

  • Alavancagem diária: a alavancagem é rebalanceada dia a dia; em períodos voláteis, isso pode gerar “decay” de performance.
  • Risco de drawdown rápido: uma correção de 20 a 30% em tech/IA pode virar -60% a -90% em produtos 3x, dependendo da trajetória.
  • Não foi feito para buy and hold longo: esses produtos são pensados para operações táticas de curto prazo, não para “segurar por anos”.

Aqui entram duas responsabilidades:

  • do emissor, em deixar isso claro;
  • e do investidor, em não tratar ETF alavancado como se fosse ETF de índice tradicional.

3. Short-bias e ETFs inversos: o hedge (e a aposta) contra IA

3.1. US$ 3,7 bilhões em setembro: recorde recente para short-bias ETFs

Segundo dados da LSEG Lipper citados pela Reuters, ETFs short-bias, que ganham quando índices e setores caem, tiveram em setembro de 2025 US$ 3,7 bilhões de entradas globais, o maior valor mensal em quase três anos.

Detalhe:

  • US$ 2,2 bi vieram de ETFs dos EUA;
  • US$ 653 mi do Japão;
  • US$ 424 mi da Coreia do Sul;
  • em outubro, já somavam mais US$ 1,4 bi adicionais.

Muitos desses ETFs são:

  • inversos de grandes índices (S&P 500, Nasdaq);
  • alavancados 2x ou 3x “short”;
  • focados em setores de tecnologia, semicondutores e IA.

Ou seja:

enquanto alguns investidores surfam ETFs de IA,
outros montam hedge ou apostas diretas na queda da própria IA/tech.

3.2. Short-bias como hedge x short-bias como “cassino”

Esses produtos podem ser usados de duas formas:

  1. Hedge de portfólio
    • Ex.: você tem muita exposição em Nasdaq/IA e compra um ETF inverso para reduzir risco direcional.
    • Faz sentido em estratégias bem calculadas, com tamanho de posição controlado e prazo definido.
  2. Aposta direcional de alta convicção
    • Ex.: montar posição grande num 3x short de semicondutores porque “já subiu demais”.
    • Aqui o risco de virar cassino é enorme, especialmente para varejo.

Em ambos os casos, vale lembrar:

  • ETF short/inverso não é hedge perfeito;
  • alavancagem e rebalanceamento diário podem distorcer o resultado ao longo do tempo;
  • a probabilidade de perda rápida é alta se o mercado continuar na direção contrária.

4. O que esse mix de fluxos revela sobre o mercado em 2025

4.1. Hype máximo, mas com medo embutido

Quando você junta:

  • fluxos fortes em ETFs de IA, defesa, urânio e semicondutores;
  • ETPs de IA alavancados com mais de 120% de alta no ano;
  • recorde recente de inflows em ETFs short-bias contra tech/IA;

fica claro que o recado do mercado é paradoxal:

  • forte convicção de que IA e defesa são temas estruturais;
  • mas também há medo de correção e preocupação com valuations esticados.

Fluxo não é previsão infalível, mas é um bom indicador de que:

o mercado está em modo “hype com hedge”
quer a alta da narrativa, mas, ao mesmo tempo, compra seguro (ou bilhete de loteria) caso tudo vire.

4.2. O que isso significa para o investidor de varejo brasileiro

Para quem está no Brasil, operando B3, cripto ou até opções binárias/event contracts, essa fotografia global importa porque:

  • mostra onde está a atenção do dinheiro grande;
  • sinaliza que setores de IA/tech podem estar mais sensíveis a notícias macro (Fed, lucros, regulação);
  • reforça a importância de não ir “all-in” no tema da moda.

Em vez de copiar cegamente:

  • use ETFs de IA como parte da carteira, não como tudo;
  • entenda que ETFs alavancados e short-bias são produtos de alto risco, para quem sabe exatamente o que está fazendo;
  • mantenha gestão de risco, tamanho de posição e horizonte de tempo claros.

FAQ ETFs de IA, ETFs alavancados e short-bias

1. O que são ETFs de IA?

São ETFs que investem em empresas ligadas a inteligência artificial, big data, semicondutores e infraestrutura de computação, seguindo um índice temático ou uma carteira ativa. Eles são usados para capturar o crescimento do ecossistema de IA sem escolher ação por ação.


2. ETFs de IA são mais arriscados do que um ETF amplo de índice?

Em geral, sim. Eles:

  • são setoriais/temáticos, concentrados em tecnologia e poucas empresas grandes;
  • tendem a ser mais voláteis;
  • dependem de uma narrativa específica (IA, chips, nuvem).

Não existe retorno extra sem risco extra. Eles podem ir muito bem num ciclo, e muito mal em outro.


3. O que é um ETF alavancado de IA?

É um produto que tenta entregar 2x ou 3x a variação diária de um índice de IA (para cima ou para baixo).
Exemplo: um ETP +3x de IA que subiu mais de 120% no ano, amplificando a alta do setor.

Porém, a mesma lógica funciona ao contrário em quedas. E o rebalanceamento diário pode distorcer o resultado no médio prazo.


4. O que são ETFs short-bias ou inversos?

São ETFs que ganham quando o ativo ou índice de referência cai. Podem ser:

  • 1x inverso (sem alavancagem);
  • 2x ou 3x inverso (alavancado).

Em setembro de 2025, esses ETFs receberam cerca de US$ 3,7 bilhões, maior inflow em quase três anos, muito focados em apostas contra índices de tech e IA.


5. Faz sentido usar ETFs short-bias como hedge da minha carteira?

Depende:

  • para institucional e trader experiente, pode ser uma ferramenta de hedge tático;
  • para varejo sem experiência, vira facilmente uma aposta especulativa de alto risco.

Se você não sabe exatamente quanto hedge fazer, por quanto tempo e contra o quê, é melhor não mexer com isso.


6. Vale a pena entrar em ETFs de IA depois dessa alta toda?

Não existe resposta única. Pontos a avaliar:

  • qual o seu prazo?
  • qual o peso de IA na sua carteira total?
  • você está preparado para drawdowns de 30 a 50% nesse tema?

Se a resposta for “não”, talvez valha mais ter um pedaço moderado em IA dentro de uma carteira diversificada do que tentar “acertar o próximo Nvidia” via ETF.


Conclusão: entre o hype da IA e o hedge, o que importa é o seu risco não o do mercado

Resumindo a fotografia de 2025:

  • ETFs de IA e defesa lideram os fluxos temáticos nos EUA, com cerca de US$ 10,1 bi em AI & Big Data, e na Europa, com US$ 13,1 bi em temáticos puxados por defesa, IA, urânio e cibersegurança.
  • Produtos alavancados de IA entregam mais de 120% de alta YTD, mas carregam risco assimétrico e complexo.
  • ETFs short-bias e inversos recebem US$ 3,7 bilhões em setembro, sinalizando que, por trás do otimismo com IA, existe medo real de correção.

Para você, o ponto central é:

não é porque o fluxo está indo para IA
nem porque “os grandes estão hedgeando”
que você precisa copiar qualquer um dos dois movimentos.

O que você pode fazer, de forma responsável:

  • acompanhar relatórios de fluxo em ETFs como insumo de leitura de mercado;
  • usar ETFs de IA como parte de uma estratégia diversificada, e não como tudo da carteira;
  • manter distância prudente de ETFs alavancados e short-bias se não tiver clareza total sobre risco e funcionamento.

Se quiser, no próximo passo posso:

  • pegar esse tema de ETFs de IA e hedge
  • e transformar em uma newsletter semanal “Fluxos & Narrativas”, com estrutura pronta pra você mandar pra sua base (resumo dos fluxos, leitura prática e CTA para comunidade/Telegram).

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