ETFs de T-Bills 0–3 meses: por que dominaram o fluxo e quando a duration intermediária volta ao jogo

Gestão profissional e alocação via ETFs ativos

ETFs de T-Bills 0–3 meses dominaram o fluxo em 2025. Veja quando faz sentido ficar no ultra-curto e quando estender duration intermediária.

Os ETFs de T-Bills 0–3 meses viraram o “novo caixa” de muita gente em 2025. O racional é sedutor: liquidez, baixa volatilidade relativa e rendimento competitivo quando os juros estão altos. Não por acaso, estratégias ultra-curtas lideraram os fluxos em Treasuries, e um dos principais ETFs do segmento superou dezenas de bilhões em entradas no ano.

Só que a história não termina no conforto do curto prazo. Quando o mercado começa a precificar cortes de juros, a conversa muda: investidores passam a considerar “travar” taxas em vencimentos maiores. E aí entra a duration intermediária (por exemplo, 7–10 anos) como meio-termo entre risco e oportunidade.

Neste artigo, você vai entender os dois lados: por que o fluxo ficou no ultra-curto e quais sinais aparecem quando ele começa a migrar para o meio da curva.

O que é “ultra-curto” e por que ele atrai tanto capital

Ultra-curto, na prática, significa exposição a títulos de curtíssimo prazo (T-Bills e Treasuries com vencimentos muito próximos). O investidor busca:

  • menor sensibilidade a oscilações de preço (menor duration)
  • rendimento ligado à taxa corrente
  • liquidez operacional (entrada/saída com pouca fricção, em geral)

Em 2025, relatórios de mercado destacaram que o ultra-curto concentrou grande parte dos fluxos em Treasuries, e que o iShares 0–3 Month Treasury Bond ETF (SGOV) liderou o ranking de renda fixa com mais de US$ 35 bilhões em entradas no ano.

Tema 1: por que 2025 virou o ano do “park cash” em ETFs 0–3 meses

O investidor quer rendimento sem “surpresa de marcação a mercado”

No ultra-curto, a variação de preço tende a ser menor do que em vencimentos longos. Isso não elimina risco, mas reduz a chance de ver quedas grandes em períodos curtos.

O ultra-curto virou ferramenta tática

Em ambientes de incerteza, muitos preferem esperar “o próximo passo” do banco central com o dinheiro rendendo. Parte desse movimento aparece em reportagens sobre entradas fortes em ETFs de curto prazo no início do ano.

A armadilha: confundir “baixo risco” com “sem risco”

Mesmo no ultra-curto, existem riscos:

  • reinvestimento (se a taxa cair, o rendimento cai rápido)
  • execução (spread, especialmente fora do horário ideal)
  • risco de estratégia (se usar fundos ultra-short com crédito privado, o risco muda)

Antes de decidir, entenda que “cash-like” não é “garantido”. É apenas uma escolha de perfil de risco diferente.

Tema 2: quando o fluxo começa a sair do ultra-curto e volta para duration intermediária

Quando o mercado passa a precificar cortes, o investidor faz uma conta simples: “se os juros caírem, eu vou querer ter travado uma taxa maior por mais tempo”. Isso puxa demanda por vencimentos intermediários e longos.

Evidências de rotação para o meio/longo da curva em 2025

Em maio de 2025, dados mostraram retorno de investidores a fundos de bonds de prazo mais longo e, dentro do universo de ETFs, entradas relevantes em Treasuries de maior vencimento, incluindo 7–10 anos.
Na leitura macro, Reuters também descreveu como, em ciclos de cortes, investidores tendem a estender duration para tentar capturar a queda de yields.

Por que “duration intermediária” é um meio-termo popular

  • tende a sofrer menos que longos em choques de inflação/yields
  • captura parte do ganho se yields caírem
  • ajuda a equilibrar carteira quando o investidor quer sair do ultra-curto sem “pular para o abismo” do longuíssimo prazo

O risco aqui é direto: mark-to-market

Se os yields sobem, o preço do ETF cai. Não é “erro do produto”, é matemática. Por isso, gestão de risco precisa estar no centro:

  • tamanho de posição compatível com sua tolerância
  • horizonte de tempo para aguentar volatilidade
  • disciplina para não vender no pior momento

Um modelo prático de decisão: curto vs intermediário

Em vez de tentar acertar o topo/fundo dos juros, use um modelo simples:

  • se sua prioridade é liquidez e estabilidade: 0–3 meses tem papel claro
  • se você aceita volatilidade moderada e quer “travar taxa”: 7–10 anos pode entrar gradualmente
  • se você quer aposta mais direcional em queda de juros: longos podem amplificar resultado, mas amplificam perdas também

A ideia é construir uma escada, não fazer “tudo ou nada”.

Seção de FAQ

ETFs de T-Bills 0–3 meses são melhores que money market?
Não existe “melhor” universal. ETFs podem oferecer negociação em bolsa; money market tem outra dinâmica. Compare custo total, liquidez e objetivo.

Por que os ETFs 0–3 meses receberam tanto fluxo em 2025?
Porque o ultra-curto liderou fluxos em Treasuries e produtos como SGOV concentraram entradas muito grandes.

Quando vale estender para duration intermediária?
Quando você aceita volatilidade moderada e quer travar taxas por mais tempo, especialmente se o mercado precifica cortes.

Duration intermediária pode dar prejuízo mesmo com bons juros?
Sim. Se yields subirem após sua compra, o preço do ETF pode cair.

Qual é a regra de ouro de gestão de risco?
Não dimensione posição pelo “yield do mês”. Dimensione pela perda potencial em um choque de taxa.

Conclusão

Os ETFs de T-Bills 0–3 meses dominaram o fluxo por um motivo: eles resolvem o problema do investidor que quer rendimento com baixa volatilidade relativa.
Mas, quando a curva muda e o mercado precifica cortes, a duration intermediária volta a fazer sentido como etapa gradual para travar taxas e reequilibrar risco.

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