Os ETFs de mercados emergentes voltaram para o centro do fluxo em 2026. Um levantamento da Reuters (Refinitiv/Lipper) apontou que ETFs de ações EM atraíram cerca de US$ 14 bilhões de inflows no ano até 21 de janeiro, caminhando para recorde mensal, com o argumento de valuações mais baratas e busca por crescimento fora de mercados caros.
Só que “emergentes” não é uma única tese. No próximo tópico você vai ver a diferença que muitos ignoram: ações EM (risco de lucro/valuation) vs dívida EM em moeda local (carrego + câmbio + juros).
Por que ETFs de ações de emergentes estão recebendo dinheiro
1) Valuation + rotação (“Sell America” e busca por preço relativo)
A leitura do mercado descrita pela Reuters inclui rotação de exposição e interesse por crescimento fora do “caro”, com menção a dólar mais fraco e fluxo procurando alternativas.
2) Motores específicos dentro de EM (não é tudo igual)
A reportagem também cita exemplos de motores de performance, como empresas ligadas a demanda por IA e ciclos de commodities em alguns países.
Responsabilidade: EM pode ter quedas grandes, riscos políticos e períodos longos de baixo retorno. Não existe ganho garantido.
A outra perna do tema: dívida EM em moeda local quando o dólar enfraquece
Por que “moeda local” amplifica (para o bem e para o mal)
Dívida EM em moeda local pode se beneficiar quando:
- o dólar enfraquece,
- o diferencial de juros/inflação favorece o país,
- e há melhora de fundamentos.
Mas também pode sofrer se:
- a moeda local desvaloriza,
- o país perde credibilidade fiscal,
- ou há choque externo.
A State Street Global Advisors descreve um ambiente “construtivo” para dívida EM em moeda local, citando tailwinds de dólar mais fraco e queda de yields como fatores que podem ajudar retornos, além de “real yields” e credibilidade de bancos centrais em alguns emergentes.
Outras casas reforçam o ponto de que o cenário pode seguir favorável, mas com atenção ao risco cambial (ex.: Allianz Global Investors).
O erro do iniciante: achar que “dívida” é sempre menos arriscada que ações
Em EM, dívida pode ser menos volátil que ações… ou não, dependendo do câmbio.
Regra simples:
- Se você não suporta oscilar por moeda, moeda local pode ser “alta octanagem” disfarçada.
- Se você entende que câmbio é parte da tese, pode fazer sentido como satélite.
Como montar sem se complicar
Modelo “duas gavetas” (simples e honesto)
- Ações EM (ETF amplo): tese de crescimento/valuation + risco de mercado.
- Dívida EM moeda local (ETF): tese de carrego/juros + risco cambial.
Como decidir a proporção
- Perfil conservador: ações EM pequenas; dívida local muito pequena (ou nenhuma).
- Perfil moderado: ações EM pequenas; dívida local como satélite e com regra.
- Perfil agressivo: ainda assim com limite, porque EM é cíclico.
Antes de decidir, entenda que o seu “risco real” é a combinação: volatilidade de ações + volatilidade de moeda.
FAQ (Perguntas Frequentes) — formato rich snippet
Como começar a investir em ETFs de mercados emergentes?
Comece com posição pequena (satélite), escolha um ETF amplo e mantenha por ciclo, rebalanceando por regra.
ETFs de emergentes são seguros?
Não há segurança garantida. EM envolve riscos políticos, cambiais e de mercado — você pode perder capital.
Vale a pena investir em dívida EM em moeda local quando o dólar cai?
Pode ajudar, mas aumenta exposição cambial. O cenário pode ser favorável com dólar mais fraco, mas exige gestão de risco.
Quais são os riscos de dívida EM em moeda local?
Moeda, inflação, juros, risco fiscal e eventos políticos.
Fluxo alto em emergentes significa alta garantida?
Não. Fluxo é contexto, não promessa.
Conclusão
Emergentes em 2026 estão em alta por fluxo e valuation, mas o investidor bem preparado separa o tema em duas peças: ações EM e dívida local EM. A diferença entre uma boa decisão e uma dor de cabeça costuma ser tamanho, prazo e aceitar (ou não) o câmbio.



