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Em outubro e novembro de 2025, os ETFs nos EUA registraram mais de US$ 320 bilhões em entradas, batendo recorde anual de US$ 1,27 trilhão. Entenda quem puxou esses fluxos e o que isso revela sobre o apetite por risco entre ações e renda fixa.
Introdução: dois meses, mais de US$ 320 bilhões – exagero ou nova realidade?
Quando você olha para os dados de fluxos em ETFs nos EUA em 2025, outubro e novembro formam um “combo” difícil de ignorar:
- Outubro: cerca de US$ 175,6 bilhões em entradas líquidas em ETFs listados nos EUA – o maior mês da história em inflows.
- Novembro: mais US$ 147,7 bilhões de entradas, levando o acumulado do ano para US$ 1,27 trilhão, já acima do recorde anterior, com um mês ainda em aberto.
Não é só “mais dinheiro em Bolsa”. É:
- fluxo espalhado por várias classes de ativos:
- equity,
- renda fixa,
- internacional,
- commodities,
- moedas;
- uma fotografia clara de como o ETF virou veículo padrão para o investidor americano – varejo e institucional.
Neste artigo, vamos dividir a análise em dois blocos:
- Dentro do maior mês da história: quem puxou os US$ 175,6 bilhões de outubro.
- A sequência outubro/novembro: o que mais de US$ 320 bilhões em dois meses revelam sobre o apetite por risco em 2025.
Sem romantizar: fluxo forte não significa ausência de risco. Mas é um excelente termômetro de comportamento.
1. Outubro: dentro do maior mês da história dos ETFs nos EUA
1.1. Os números de outubro em detalhe
De acordo com levantamento da ETF.com com dados da FactSet, outubro de 2025 trouxe:
- US$ 175,6 bilhões de inflows em ETFs listados nos EUA;
- acumulado do ano indo para US$ 1,12 trilhão em entradas;
- fluxo pulverizado entre diversas classes:
- US$ 73,1 bilhões para ETFs de ações dos EUA;
- US$ 42,5 bilhões para ETFs de renda fixa americanos;
- US$ 35,4 bilhões para equity internacional;
- US$ 9,4 bilhões para renda fixa internacional;
- cerca de US$ 5,8 bilhões para commodities;
- algo próximo disso também em ETFs de moedas.
Ou seja: não foi um “mês de loucura em tech” isolado. O dinheiro entrou de forma ampla.
1.2. Quem puxou a fila: dos ETFs de índice aos temáticos
O breakdown por fundos mostra um padrão interessante:
- Vanguard S&P 500 ETF (VOO) liderando com cerca de US$ 17,7 bilhões de entradas no mês;
- SPDR Portfolio S&P 500 ETF (SPYM) e Invesco QQQ (QQQ) também com inflows bilionários;
- IBIT (iShares Bitcoin Trust) captando mais de US$ 4 bilhões em outubro, surfando o momento em que o Bitcoin bateu máximas históricas antes de corrigir;
- GLD (SPDR Gold Shares) com mais de US$ 3,6 bilhões de entradas, em meio a ouro acima de US$ 4.000 a onça em certo momento do mês.
Tradução:
- o investidor reforçou core holdings (S&P 500, total market);
- buscou temas e narrativas fortes (IA/tech via QQQ, cripto via IBIT);
- e ao mesmo tempo adicionou proteção via ouro.
1.3. Por que outubro foi tão grande?
Alguns fatores ajudam a explicar:
- Narrativa de “soft landing” e cortes de juros à frente
- melhora da percepção de risco macro;
- investidores antecipando possíveis cortes de juros em 2026, favorecendo ativos de risco e renda fixa de duration intermediária.
- ETF como “atalho” para reentrar na Bolsa
- depois de períodos de volatilidade, há um padrão:
- boa parte do dinheiro volta pela porta do ETF, não pela seleção de ações individuais;
- VOO, IVV, VTI, QQQ & cia. viram instrumento de “comprar o mercado” em um clique.
- depois de períodos de volatilidade, há um padrão:
- Adoção estrutural do ETF
- com mais de US$ 13 trilhões em AUM só nos EUA, os ETFs viraram infraestrutura básica de alocação, não só produto tático.
Resultado: quando o apetite volta, ele aparece em escala.
2. Novembro: mantendo o ritmo e cravando o recorde anual
2.1. US$ 147,7 bilhões e um novo recorde anual
Se outubro foi o maior mês da história, novembro não ficou muito atrás:
- US$ 147,7 bilhões em inflows para ETFs listados nos EUA;
- com esse número, o acumulado de 2025 chegou a US$ 1,27 trilhão em entradas – recorde anual histórico, com dezembro ainda por vir.
Ou seja: em apenas dois meses, entraram mais de US$ 320 bilhões líquidos em ETFs nos EUA.
2.2. De novo, quem puxou a fila?
No recorte de novembro, o padrão de fluxo se repetiu, segundo a ETF.com:
- US$ 73,6 bilhões para ETFs de ações dos EUA;
- US$ 33,1 bilhões para ETFs de renda fixa americanos;
- US$ 24,6 bilhões para equity internacional;
- US$ 10,7 bilhões para renda fixa internacional;
- saída de cerca de US$ 3,8 bilhões em ETFs de moedas, muito por conta de cripto e alguns produtos específicos.
Mesmo com um mês volátil (S&P 500 caiu mais de 5% do pico até o fundo antes de recuperar quase tudo), o investidor continuou usando ETF como veículo de ajuste:
- reduziu exposição em alguns pontos,
- mas manteve fluxo forte para equity broad e renda fixa.
2.3. O que a combinação outubro/novembro mostra sobre o apetite do mercado
Quando você junta os dois meses, alguns sinais ficam claros:
- Appetite por risco ainda existe – e é grande
- equity ETFs lideram os fluxos em ambos os meses;
- mesmo com volatilidade, a postura é mais de “compra na correção” do que de fuga generalizada.
- Renda fixa consolidada como segundo pilar
- bond ETFs aparecem consistentemente com dezenas de bilhões em inflows;
- o investidor quer renda e proteção, mas sem abandonar o mercado.
- Globalização da carteira via ETFs
- o fluxo para equity e bond internacional reforça a tese de que o investidor americano está mais disposto a buscar diversificação fora dos EUA, usando ETF como ponte.
3. Como isso conversa com o investidor brasileiro que olha para ETFs lá fora
3.1. ETFs como “idioma padrão” da alocação global
Para quem está no Brasil, acompanhando esses números, a principal leitura é:
ETF virou linguagem padrão de alocação global.
Tanto para:
- o investidor institucional, que monta estratégia top-down usando blocos de ETFs;
- quanto para o varejo americano, que enxerga ETF como feijão com arroz da carteira.
Se você investe em:
- BDRs de ETFs na B3;
- ETFs direto lá fora via corretora internacional;
entender esses fluxos te ajuda a:
- não operar “no escuro” contra o fluxo dominante;
- entender quais classes de ativos estão sendo favorecidas na margem.
3.2. Não confundir recorde de inflows com ausência de risco
Ponto fundamental:
- recorde de inflows ≠ garantia de retorno futuro;
- em alguns momentos da história, grandes entradas aconteceram perto de topos de mercado;
- o fato de equity ETFs estarem recebendo muito dinheiro não elimina o risco de correção.
Para quem está começando:
- o racional é usar o ETF como ferramenta de diversificação,
- e não como aposta concentrada em uma narrativa da moda.
FAQ – Fluxos recorde em ETFs nos EUA
1. Recorde de inflows em ETFs nos EUA significa que é hora de comprar tudo?
Não.
Fluxo forte indica apetite por risco e adoção estrutural do veículo, mas não diz onde está o topo.
- Pode haver ainda mais entrada e continuidade de alta;
- ou pode ser que parte desses fluxos esteja chegando tarde em algumas narrativas.
Use os dados como contexto, não como sinal de compra automática.
2. É melhor investir em ETFs de ações ou em bond ETFs depois desses números?
Depende do seu objetivo e perfil de risco.
- Equity ETFs tendem a ter maior potencial de retorno no longo prazo, mas com volatilidade muito maior;
- Bond ETFs trazem mais foco em renda e proteção, mas também sofrem com oscilação de juros e risco de crédito.
A combinação dos dois, em proporções alinhadas ao seu perfil, tende a fazer mais sentido do que escolher “um contra o outro”.
3. Esses fluxos recorde são só coisa de institucional ou o varejo também está puxando?
Os dois.
- Institucionais usam ETFs como ferramenta tática e de alocação estratégica;
- o varejo americano cada vez mais monta carteira só com meia dúzia de ETFs (índices amplos, tech, renda fixa, internacional).
Os dados de captação mostram participação grande de produtos “core” (tipo VOO, VTI, IVV), que são muito usados por pessoa física.
4. Como um investidor brasileiro pode usar essas informações na prática?
Alguns caminhos:
- se você usa BDRs de ETFs ou investe direto lá fora, acompanhar os fluxos ajuda a entender onde está o dinheiro novo;
- isso pode servir para:
- evitar entrar atrasado em alguma euforia;
- ou entender em quais classes de ativos o mercado está reprecificando risco (ex.: rotação de equity para renda fixa).
Mas, de novo: nada disso substitui gestão de risco, diversificação e horizonte de longo prazo.
5. Vale a pena montar uma estratégia só em cima de fluxos de ETFs?
Para a maioria das pessoas, não.
Fluxo é uma variável importante, mas:
- pode ser atrasado;
- nem sempre distingue entre dinheiro “inteligente” e “efeito manada”;
- pode ser distorcido por movimentos táticos de curto prazo.
Melhor usar fluxos como complemento à análise de:
- valuation,
- cenário macro,
- perfil de risco,
- e objetivos pessoais.
Conclusão: ETFs como termômetro – não como bússola única
Os dados de outubro e novembro de 2025 deixam claro:
- ETFs nos EUA não são mais um mercado paralelo – são o centro da festa;
- mais de US$ 320 bilhões de entradas em dois meses, com equity e renda fixa dividindo o protagonismo, mostram que o investidor quer:
- continuar exposto a ativos de risco,
- mas com uma camada crescente de renda e proteção.
Para você, o takeaway é simples:
- entenda o que esses fluxos sinalizam,
- use ETFs como ferramentas de construção de carteira,
- mas não caia na armadilha de achar que recorde de entrada significa risco baixo ou retorno garantido.
Se quiser dar o próximo passo, uma boa ação agora é:
Assinar uma newsletter ou relatório recorrente de fluxos de ETFs, para acompanhar mês a mês como o dinheiro está se movendo entre ações, renda fixa, cripto e temas específicos.
Com isso, você deixa de reagir só ao preço e passa a enxergar para onde o capital global está indo – e por quê.



