Meta description: EIP-4844 (blobs) mudou a economia de rollups no Ethereum. Entenda taxas, captura de receita em L2 e o trade-off escala barata vs UX.
O Ethereum entrou em uma nova fase de escala com a introdução dos blobs, que reduziram o custo de publicação de dados e alteraram a economia dos rollups. A consequência é direta: taxas mais baratas nas redes L2, mudanças de incentivos e um debate que volta com força em 2026 quem captura valor no ecossistema e a que custo para a experiência do usuário.
Quando taxas caem de forma relevante, a tese “Ethereum como infraestrutura” se fortalece por um lado, porque o sistema fica mais utilizável. Por outro, surge a tensão: escala barata pode aumentar fragmentação de liquidez e complicar UX, além de deslocar parte da receita para operadores de rollups e sequencers. Isso não é apenas discussão técnica. É debate de mercado, porque influencia narrativa, alocação e competição entre L2s.
Cripto é um mercado de alto risco. Tecnologias e narrativas podem mudar rapidamente, e não há garantias de retorno financeiro. Gestão de risco continua essencial.
O que são blobs e por que o pós-EIP-4844 mudou o jogo
Blobs são um mecanismo que reduz o custo de dados usados por rollups para publicar informações necessárias à segurança e verificabilidade. Em termos práticos, isso significa:
- Menor custo por transação em várias L2s
- Aumento de competitividade das L2s como “camada de execução barata”
- Mudança de estrutura de receita e incentivos entre L1 e L2
- Aceleração de uso onchain em aplicações sensíveis a custo
O ponto importante é que os blobs mexem no componente econômico que travava o uso: custo de dados. E custo de dados era uma parcela relevante do “preço” de operar em L2.
Por que reduzir custo de dados muda incentivos
Quando o principal custo cai:
- Projetos podem subsidiar usuários por mais tempo
- Apps podem operar com margens menores e ainda fazer sentido
- A competição entre L2s aumenta
- O modelo de monetização migra para outros pontos (sequencer, MEV, fees residuais)
A economia de rollups é, em grande parte, economia de dados. Quando isso muda, o mercado precisa recalibrar.
Economia de rollups: o que significa “mudança de incentivos” em 2026
A economia de uma L2 envolve três camadas principais:
- Custos: publicar dados, prover segurança, manter operação
- Receita: taxas pagas pelos usuários e aplicações
- Captura de valor: quem fica com a diferença e em que forma
Com blobs reduzindo custos, a receita pode cair (porque taxas ao usuário caem) e, ainda assim, a margem pode se manter ou até melhorar se o volume subir e a operação for eficiente.
Esse é o coração do debate: quem se beneficia com taxas menores e mais volume? E quem perde participação na captura de valor?
O deslocamento de captura de valor para sequencers
Sequencers são operadores que ordenam transações em muitas arquiteturas de rollup. Quando as L2s ficam mais baratas e ganham volume, o papel do sequencer vira um ponto de captura de receita e influência:
- Taxas e spreads de execução
- Controle de ordenação (com impacto em MEV e eficiência)
- Políticas de inclusão e prioridade
- Possível monetização via serviços e integrações
Isso puxa um debate de centralização e governança, porque o sequencer, em muitos casos, é uma peça crítica.
Taxas mais baixas: por que “escala barata” não resolve tudo sozinha
Taxas menores são uma vitória para uso. Mas o mercado começa a discutir custos ocultos e trade-offs:
- A liquidez se fragmenta entre múltiplas L2s
- Usuário precisa lidar com pontes e movimentação entre redes
- Apps e tokens podem ficar “presos” em ecossistemas específicos
- A experiência fica mais complexa para iniciantes
Em 2026, a pergunta não é apenas “quanto custa?”. É “quão simples é usar?” e “quão integrado é o ecossistema?”.
Fragmentação de liquidez: por que é um problema de mercado
Liquidez fragmentada significa que o mesmo ativo e a mesma demanda ficam espalhados. Isso pode gerar:
- Spreads maiores em certos pares e DEXs
- Menor profundidade de livro em pools específicos
- Eficiência menor para grandes ordens
- Arbitragem constante entre redes e mercados
Para o usuário final, isso aparece como pior preço, mais etapas e mais risco operacional ao mover fundos.
UX: o custo invisível da multi-L2
Mesmo com taxas baixas, UX pode piorar se o usuário precisa:
- Entender múltiplas redes
- Gerenciar pontes e tempos de confirmação
- Lidar com diferentes carteiras e padrões
- Resolver problemas de compatibilidade e liquidez
A adoção em massa depende de “invisibilizar” a complexidade. E isso ainda é um desafio.
O que isso significa para a narrativa do ETH como infraestrutura
O Ethereum compete como infraestrutura de liquidação e segurança. O avanço de L2s com custos menores reforça uma tese:
- L1 como camada de segurança e settlement
- L2 como camada de execução e escala
Mas o deslocamento de receita e captura de valor levanta dúvidas estratégicas que o mercado debate:
- Quanto valor permanece no ETH se a execução migra para L2?
- Quais mecanismos de captura e demanda sustentam a tese do ativo?
- Como a fragmentação afeta a “unidade” do ecossistema?
Esse debate é normal em infra: quando o sistema escala, a economia interna muda. O que importa é como o ecossistema ajusta incentivos para manter segurança, uso e previsibilidade.
O que observar em 2026 para entender a direção do debate
Alguns sinais costumam guiar a leitura de mercado:
- Se taxas baixas aumentam volume real e retenção de usuários
- Se soluções de interoperabilidade reduzem fricção de pontes
- Se L2s caminham para mais descentralização de sequencers
- Se aplicações e liquidez se concentram em poucos “hubs” ou continuam fragmentadas
- Se o mercado volta a valorizar simplicidade acima de custo mínimo
Em infra, a vantagem não é só ser barato. É ser simples e confiável.
Riscos e alertas: por que esse tema não é “alta garantida”
Mesmo sendo um avanço técnico importante, há riscos:
- Risco de centralização em operadores críticos (sequencers)
- Risco operacional em pontes e integrações
- Risco de fragmentação persistente prejudicar UX e liquidez
- Risco de narrativas mudarem rápido conforme métricas e mercado
Cripto é volátil, e a leitura correta é estratégica, não determinística.
FAQ sobre EIP-4844, blobs e economia de L2 no Ethereum
O que são blobs no contexto do Ethereum?
São um mecanismo que reduz custo de dados usados por rollups, permitindo taxas menores e mais eficiência para L2s.
Por que o pós-EIP-4844 mudou a economia dos rollups?
Porque reduziu o principal custo operacional de publicação de dados, alterando incentivos, precificação e competição entre L2s.
Quem são os sequencers e por que capturam valor?
São operadores que ordenam transações em muitas L2s. Com mais volume e arquitetura atual, eles podem capturar parte de receita e influência.
Taxas mais baixas são sempre boas?
São boas para uso, mas podem aumentar fragmentação de liquidez e complexidade de UX, criando custos indiretos.
Como isso afeta a narrativa do ETH como infraestrutura?
Reforça a tese L1+L2, mas reacende o debate sobre captura de valor, unidade do ecossistema e experiência do usuário.
O que pode resolver a fragmentação e melhorar UX?
Interoperabilidade e abstração de cadeia podem reduzir fricção, mas dependem de execução técnica e adoção por apps e provedores.
Conclusão
O debate sobre Ethereum e L2 pós-EIP-4844 volta ao centro porque os blobs mudaram a economia dos rollups: taxas caíram, incentivos mudaram e parte da captura de valor se deslocou para operadores de rollups e sequencers. Em 2026, a pauta forte é o trade-off entre escala barata e a fragmentação de liquidez e UX e como isso sustenta a narrativa do ETH como infraestrutura confiável.



