O cash parking com SGOV virou uma das narrativas mais fortes de 2025 por um motivo simples: investidores queriam rendimento de curto prazo com baixa sensibilidade a juros e alta liquidez. A ETF.com registrou que o SGOV superou US$ 50,3 bilhões em AUM e acumulou US$ 20,5 bilhões de inflows no ano até julho de 2025.
Só que “caixa via ETF” tem trade-offs que muita gente ignora: reinvestimento (o yield não é fixo) e fricções (spread/execução).
Por que SGOV e ultra-short explodiram em 2025
Além do “yields acima de 4%” em parte do ano, o SGOV virou ferramenta tática: entrar e sair rápido, sem duration longa. Um artigo da ETF.com para advisors chamou o ultra-short de “go-to choice” em 2025 para muitos investidores, justamente por combinar rendimento e duration quase zero. etf.com
E, no pano de fundo, relatórios de mercado da iShares apontaram um padrão claro: investidores preferindo Treasuries curtos em relação aos longos, em janelas recentes de fluxo.
No próximo tópico você vai ver o principal erro: tratar o yield do curto prazo como “promessa”.
Trade-off 1: risco de reinvestimento (yields caem, rendimento acompanha)
Em ativos curtíssimos, a carteira reinveste o tempo todo. Isso significa que, quando taxas caem, o rendimento tende a cair também ao longo do tempo.
A Morningstar observou que, no fim de novembro de 2025, fundos de money market governamentais/taxáveis rendiam menos de 4% em média e deveriam tender para baixo conforme cortes avançassem.
A lógica de reinvestimento é semelhante em ultra-short/T-bills: o “caixa rendendo bem” pode ser ótimo num período, mas não é uma taxa travada.
Trade-off 2: fricções (spread e execução) viram custo invisível
Mesmo quando o produto é “quase caixa”, ele é negociado em bolsa.
- Bid-ask spread: se você gira caixa com frequência, o spread pode impactar mais do que a taxa de administração.
- Slippage/execução: em janelas de estresse ou baixa liquidez intradiária, o custo pode piorar.
A disciplina aqui é simples: “caixa tático” funciona melhor quando você reduz giro desnecessário.
Checklist prático: quando cash parking com ultra-short ETF faz sentido
Antes de decidir, entenda que…
- Faz sentido para alocação tática (esperar oportunidade e realocar).
- Exige atenção a giro (evitar entrar/sair por ansiedade).
- Precisa de um plano para o cenário de queda de yields (o objetivo é liquidez, não “caça ao yield”).
E-E-A-T: mesmo produtos de curto prazo podem ter oscilações pequenas e não há garantia de retorno.
FAQ (rich snippet)
O que é cash parking com SGOV?
É estacionar caixa em um ETF de Treasuries curtíssimos (0–3 meses) para manter liquidez e baixa duration.
Por que o SGOV ficou tão grande em 2025?
A ETF.com reportou o SGOV acima de US$ 50,3 bi em AUM e inflows YTD de US$ 20,5 bi até julho de 2025.
O que acontece com o rendimento quando os juros caem?
Tende a cair ao longo do tempo por reinvestimento; a Morningstar apontou tendência de queda em yields de instrumentos de caixa no fim de 2025.
Spread importa em “ETF de caixa”?
Sim, principalmente se você gira com frequência. O custo pode ser relevante no resultado final.
Ultra-short ETF é “sem risco”?
Não. É menor risco de duration, mas ainda há risco de mercado (pequeno), reinvestimento e fricções.
Conclusão
O cash parking com SGOV funcionou em 2025 porque resolvia um problema real: liquidez com rendimento de curto prazo. Mas a decisão madura considera o pacote completo: reinvestimento + fricções + objetivo da carteira (sem promessas).



