MSCI avalia excluir empresas com digital assets acima de 50% dos ativos. Entenda como regras de índice geram fluxo mecânico e risco para ETFs passivos.
Existe um tipo de fluxo que não tem “opinião”.
É o fluxo que acontece porque um índice mudou e milhares de produtos precisam seguir a regra, querendo ou não.
Em 19/dez/2025, a Reuters reportou que a MSCI está considerando excluir de seus índices globais empresas cujas posses de ativos digitais excedam 50% do total de ativos, argumentando que elas se parecem mais com “fundos” do que com empresas operacionais. A consulta pública estaria aberta até 15/jan/2026.
No próximo tópico você vai ver por que isso é enorme para ETFs passivos: não é debate acadêmico pode virar compra e venda forçada na revisão do índice.
O que a MSCI está propondo, em termos simples
A consulta menciona a exclusão de empresas de “digital asset treasury” quando ativos digitais representam 50% ou mais dos ativos totais, com potencial implementação em revisão de índice (a MSCI citou a janela de revisão de fevereiro de 2026 em documentos do processo).
O caso mais simbólico citado no noticiário é a Strategy (ex-MicroStrategy), por causa do tamanho e da centralidade do bitcoin no balanço mas o universo pode ser maior, com dezenas/centenas de “DAT firms”.
Por que isso mexe com ETFs passivos
ETFs e fundos indexados compram e vendem para manter aderência ao benchmark.
Se uma ação sai do índice, produtos passivos precisam reduzir (ou zerar) posição.
A Reuters citou estimativas de analistas sugerindo que uma exclusão poderia gerar bilhões em outflows/pressão de venda em nomes específicos, justamente por reduzir demanda vinda de fundos passivos. Reuters
Isso é “fluxo mecânico”: não é o investidor decidindo que a empresa é ruim.
É o índice dizendo “não pertence mais aqui”.
O efeito dominó: quando uma regra vira padrão de mercado
Outro detalhe importante na reportagem da Reuters: existe a possibilidade de outros provedores de índice avaliarem medidas semelhantes, caso a MSCI avance.
E a própria discussão já está viva em outros benchmarks. A Reuters também noticiou que a Strategy permaneceu no Nasdaq 100 em dezembro de 2025, enquanto a elegibilidade em índices continua em debate.
Antes de decidir, entenda que esse tipo de evento cria volatilidade e incerteza. Não é ambiente para “all-in” nem para operar sem limite de perda.
Como o investidor pode acompanhar sem cair em pânico
Acompanhe datas e gatilhos
- prazo de consulta (15/jan/2026, segundo Reuters/MSCI) Reuters+1
- janelas de revisão de índice (ex.: fevereiro/2026 mencionado no material da MSCI) MSCI
Entenda o risco de “gap”
Quando o mercado antecipa exclusão, o preço pode oscilar antes mesmo do rebalanceamento formal.
Não confunda “regra de índice” com “tese fundamental”
A empresa pode continuar operando do mesmo jeito.
O que muda é a elegibilidade e, portanto, parte da base compradora.
Seção de FAQ
O que significa MSCI excluir empresas com cripto do índice?
Significa que empresas com ativos digitais acima do limite proposto poderiam deixar de fazer parte de índices MSCI, reduzindo compras automáticas de fundos passivos que seguem esses benchmark
Qual é o critério que está sendo discutido?
Ativos digitais representando 50% ou mais do total de ativos, segundo a proposta em consulta.
Quando isso pode ser decidido?
A Reuters citou a consulta pública até 15 de janeiro de 2026. Reuters
Por que isso afeta ETFs passivos?
Porque ETFs indexados precisam replicar o índice: se o índice remove, o ETF ajusta posição, gerando fluxo mecânico.
Outros índices podem seguir a MSCI?
Há sinalização de que outros provedores podem considerar abordagem semelhante, segundo a Reuters.
Conclusão
A proposta da MSCI é um exemplo perfeito de como “regras de índice” podem virar evento de mercado.
Se avançar, pode criar fluxo mecânico em ETFs passivos e aumentar a volatilidade em empresas de cripto-treasury, independentemente do que você acha do bitcoin.



