A indústria global de ETFs bateu US$ 19,25 trilhões em ativos em 2025, com recorde de inflows e desempenho forte em mercados ex-EUA e emergentes. Entenda o que isso significa para a sua diversificação internacional.
Introdução
Em menos de três décadas, os ETFs saíram de “produto de nicho” para algo próximo a um sistema operacional do mercado global.
Relatório recente da ETFGI mostra que:
- os ativos na indústria global de ETFs atingiram US$ 19,25 trilhões ao fim de outubro de 2025;
- o ano já acumula US$ 1,82 trilhão em entradas líquidas, o maior valor da história, com 77 meses seguidos de inflows;
- equity, renda fixa, commodities e ETFs ativos participam dessa expansão.
Ao mesmo tempo, os índices de mercados desenvolvidos ex-EUA e emergentes estão superando o S&P 500 em performance acumulada no ano.
A pergunta inevitável:
faz sentido continuar com uma carteira “Brasil + S&P” e ignorar o resto?
Radiografia do recorde global de ETFs
Segundo a ETFGI:
- a indústria global de ETFs conta com mais de 15 mil produtos e quase 30 mil listagens, em 83 bolsas e 65 países;
- os ativos cresceram cerca de 29,7% no ano, saindo de US$ 14,85 trilhões no fim de 2024 para US$ 19,25 trilhões em outubro;
- só em outubro houve US$ 279 bilhões de inflows, distribuídos entre:
- US$ 138,9 bilhões em equity ETFs,
- US$ 52 bilhões em bond ETFs,
- US$ 9,6 bilhões em commodities,
- US$ 75,8 bilhões em ETFs ativos.
Isso diz algumas coisas importantes:
- ETF não é mais um “produto isolado”;
- ele é a principal via de entrada e saída de capital em vários mercados;
- e está sendo usado tanto por varejo quanto por institucionais em larga escala.
Quem está performando melhor: EUA ou resto do mundo?
Os mesmos relatórios destacam que, em 2025:
- o S&P 500 subiu cerca de 17,5% até outubro;
- porém, o índice de mercados desenvolvidos ex-EUA avançou quase 29,8%;
- e os mercados emergentes subiram aproximadamente 24,5% no mesmo período.
Isso significa que:
- quem ficou só em EUA perdeu parte importante do movimento em Europa, Japão e emergentes;
- ETFs globais, developed ex-US, Europa, Japão e emergentes têm sido peças decisivas na geração de retorno de portfólios globais.
Para o investidor brasileiro, isso deve acender um alerta:
Diversificar não é apenas sair do Brasil para o S&P 500.
É construir uma exposição equilibrada entre EUA, Europa, Ásia, emergentes e diferentes classes de ativo.
Concentração de provedores: iShares, Vanguard e SPDR no comando
Outro ponto relevante do relatório:
- iShares, Vanguard e SPDR concentram quase 60% dos ativos globais de ETFs – cerca de 5,4 tri, 4,13 tri e 1,95 tri, respectivamente;
Isso tem vantagens e riscos:
- Vantagens
- liquidez muito alta;
- custos baixos;
- escala operacional e robustez de processos.
- Riscos
- grande parte do patrimônio global em poucos provedores;
- risco de “pensamento único” em construção de índices;
- risco de o investidor achar que está diversificado, mas estar concentrado em poucas megacaps e na visão de algumas casas dominantes.
Como transformar esse cenário em estratégia prática para brasileiro
Em vez de olhar esses números só como curiosidade de mercado, dá para usá-los em decisões concretas:
- Montar um core global com ETFs amplos
Combinar ETFs de:- ações globais (ou EUA + ex-EUA),
- renda fixa global ou em dólar/euro,
- um pouco de commodities/ouro.
- Adicionar “camadas” táticas
Usar pequenos percentuais em:- emergentes específicos,
- setores ligados à IA e infraestrutura,
- temáticos que façam sentido estratégico (não só modinha).
- Definir um limite claro de exposição em cada região
Por exemplo:- X% em Brasil,
- Y% em EUA,
- Z% em Europa/Ásia/Emergentes via ETFs globais.
A ideia não é copiar cegamente o fluxo, e sim usar os dados como bússola:
- onde o mundo está colocando dinheiro hoje;
- quais regiões estão entregando mais retorno;
- como isso se encaixa na sua realidade de risco e horizonte.
FAQ sobre indústria global de ETFs e diversificação ex-EUA
A indústria global de ETFs está “grande demais”? Isso é perigoso?
O crescimento rápido traz debates sobre liquidez, impacto em preços e concentração, mas até agora os ETFs têm passado por vários testes de stress sem colapsar a estrutura. O principal risco para o investidor pessoa física é achar que ETF é sinônimo de “sem risco” – o que não é verdade.
Vale a pena focar em ETFs de mercados ex-EUA em 2025?
Se a sua carteira hoje é quase toda Brasil + EUA, faz bastante sentido estudar um aumento de exposição em Europa, Japão, Ásia e emergentes via ETFs. Eles vêm performando melhor em várias janelas e ajudam a diluir riscos específicos dos EUA.
Como escolher entre ETF global, developed ex-US e emergentes?
Pense em camadas:
- um ETF global pode ser a base;
- um ETF developed ex-US reforça a fatia fora dos EUA;
- ETFs de emergentes adicionam risco e potencial de retorno extra, mas com volatilidade maior.
Preciso ter ETFs de commodities e ouro em toda carteira?
Não é obrigatório, mas faz sentido considerar uma pequena alocação em ouro e eventualmente em commodities se o objetivo for proteção contra inflação, choques geopolíticos e desvalorização cambial.
ETFs ativos fazem sentido ou é melhor ficar só nos passivos?
Os dados mostram que ETFs ativos também estão crescendo muito em 2025, com mais de US$ 1,82 trilhão em ativos e US$ 523 bilhões de inflows no ano.
Eles podem fazer sentido para estratégias específicas (crédito, setores, táticas), desde que você entenda custo, processo e risco.
Conclusão
O recado de 2025 é direto:
- a indústria global de ETFs se tornou o grande tubo de fluxo de capital do mercado;
- mercados ex-EUA e emergentes têm entregado desempenho superior em várias janelas;
- e continuar com uma carteira “Brasil + S&P” pode ser sinônimo de ficar para trás.
Mais do que decorar números, o importante é entender o que essa transformação estrutural permite:
- acesso barato e líquido a praticamente qualquer mercado;
- possibilidade de montar uma carteira global mesmo com ticket relativamente baixo;
- responsabilidade maior em entender risco, concentração e horizonte de tempo.



