Japão e Ásia via ETFs: por que esses mercados voltaram para o radar em 2025

Painel financeiro destacando ETFs do Japão e da Ásia Pacífico ex-Japão

ETFs do Japão e da Ásia ex-Japão bateram recordes de ativos e fluxos em 2025. Veja por que esses mercados voltaram ao radar e como o investidor brasileiro pode acessá-los via ETFs.


Introdução

Durante anos, a conversa de ETF global se resumiu quase sempre a “SPY, QQQ e no máximo um emergente genérico”. Em 2025, isso começou a mudar de forma mais visível.

Dados da ETFGI mostram que:

  • a indústria de ETFs no Japão atingiu um recorde de aproximadamente US$ 614 bilhões em ativos em abril de 2025, com quatro meses seguidos de entradas e quase US$ 15 bilhões de inflows no ano;
  • a região Ásia Pacífico ex-Japão também bateu recorde, com US$ 1,25 trilhão em ativos e mais de US$ 61 bilhões de entradas apenas em abril.

Ou seja: o dinheiro global voltou a olhar para Japão e Ásia de forma estruturada, usando ETFs como veículo principal.


Japão: de mercado esquecido a peça importante da diversificação

O mercado japonês esteve “esquecido” por muitos investidores internacionais durante boa parte da década passada. Em 2025, alguns fatores começaram a mudar essa percepção:

  • expectativa de normalização gradual da política monetária do Banco do Japão;
  • reabertura da economia com foco em exportações e tecnologia;
  • busca global por mercados desenvolvidos fora dos EUA com valuations mais razoáveis.

A ETFGI mostra que:

  • os ETFs no Japão somaram mais de US$ 614 bilhões em ativos ao fim de abril;
  • o país registrou quatro meses seguidos de inflows, acumulando quase US$ 15 bilhões no ano.

Para o investidor brasileiro, isso significa que:

  • ETFs de índices japoneses (TOPIX, Nikkei, MSCI Japan) passaram a ter mais liquidez;
  • estratégias temáticas ligadas a indústria, tecnologia e robótica japonesa ganharam tração.

Ásia Pacífico ex-Japão: US$ 1,25 trilhão em ETFs e fluxo recorde

Quando olhamos para a região Ásia Pacífico ex-Japão, o movimento é ainda mais impressionante:

  • ativos em ETFs da região chegaram a US$ 1,25 trilhão ao fim de abril de 2025;
  • só em abril houve US$ 61,47 bilhões de entradas, o segundo maior valor de inflows da série histórica;
  • equity ETFs lideraram com mais de US$ 45 bilhões de entradas, seguidos por renda fixa e commodities (inclusive ouro).

Essa região envolve:

  • China e Hong Kong,
  • Coreia do Sul e Taiwan (fortes em semicondutores e tecnologia),
  • Austrália, Singapura e outros mercados relevantes.

O investidor global está usando esses ETFs para:

  • capturar crescimento estrutural da Ásia;
  • ter exposição a cadeias de tecnologia, manufatura avançada e consumo;
  • diversificar o risco além de EUA e Europa.

Desempenho: desenvolvidos ex-EUA e emergentes superando os EUA

Outro ponto que reforça esse movimento é a performance relativa:

  • segundo a ETFGI, os índices de mercados desenvolvidos ex-EUA subiram cerca de 29,8% no acumulado de 2025 até outubro, enquanto o S&P 500 avançou aproximadamente 17,5%;
  • mercados emergentes também entregaram alta acima de 24% na mesma janela, com países como Hungria e México se destacando.

Isso reforça a tese:

  • ficar só em “EUA + Brasil” é abrir mão de parte relevante do ciclo global;
  • ETFs de Japão, Ásia ex-Japão e emergentes permitem capturar essa assimetria com um clique.

Como o brasileiro pode acessar Japão e Ásia via ETFs na prática

Algumas rotas possíveis:

  • Corretora internacional
    Acesso direto a ETFs listados nos EUA (como EWJ, DXJ, VPL, AAXJ, EEMA, etc.), com exposição diversificada a Japão e Ásia.
  • BDRs de ETFs na B3
    Alguns ETFs internacionais possuem BDRs listados na bolsa brasileira, permitindo acesso em reais, embora nem sempre com a mesma variedade.
  • Fundos locais de fundos
    Fundos brasileiros que compram ETFs lá fora e replicam essa exposição para o investidor local.

Pontos de atenção:

  • tributação (ganho de capital, IR sobre dividendos/juros, IOF em remessas);
  • custos de corretagem, spread de câmbio e taxas de administração;
  • liquidez do ETF escolhido e tracking error em relação ao índice de referência.

FAQ sobre ETFs de Japão e Ásia

Vale a pena investir em ETFs do Japão em 2025?
Pode fazer sentido como parte de uma diversificação geográfica em mercados desenvolvidos ex-EUA, especialmente se você hoje concentra tudo em Brasil/EUA. O mercado japonês tem perfil diferente de crescimento, empresas globais fortes e papel relevante em tecnologia e manufatura.

Qual a diferença entre ETFs de Ásia ex-Japão e ETFs de emergentes em geral?
ETFs de Ásia ex-Japão focam em uma região específica, normalmente incluindo China, Coreia, Taiwan, Sudeste Asiático e Austrália, dependendo do índice. ETFs de emergentes incluem países de várias regiões (LatAm, EMEA, Ásia), diluindo mais o foco regional.

Existe muito risco político em investir na Ásia via ETFs?
Existe risco político, regulatório e geopolítico especialmente envolvendo China, Taiwan e tensões regionais. Justamente por isso faz sentido diversificar via um basket de países e limitar a porcentagem da carteira exposta a esse risco.

Quanto da carteira faz sentido colocar em Japão e Ásia?
Em muitos modelos internacionais, a fatia de mercados ex-EUA pode chegar a 30–50% da parcela de ações globais. Dentro disso, Japão e Ásia podem ocupar algo como 10–25%, dependendo do perfil e do horizonte. É um ponto de partida para estudo, não uma regra fixa.


Conclusão

Os números de 2025 deixam claro:

  • Japão e Ásia ex-Japão não são mais “figurantes” no mapa de ETFs;
  • há recorde de ativos e de fluxos nessas regiões;
  • e o desempenho de mercados desenvolvidos ex-EUA e emergentes tem superado o dos EUA em várias janelas.

Para o investidor brasileiro, isso é um lembrete incômodo:
a diversificação internacional de verdade vai muito além de comprar um único ETF de S&P 500.

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